Doadores prometem US$ 250 mi para combate a piratas na Somália

Por David Brunnstrom BRUXELAS (Reuters) - Doadores internacionais prometeram nesta quinta-feira dar à Somália mais de 250 milhões de dólares para o país ampliar suas forças de segurança, combater a atividade de piratas e restaurar a ordem, afirmou uma autoridade da União Europeia.

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Os doadores fizeram as promessas em uma conferência em Bruxelas, na qual o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o presidente da Somália, xeque Sharif Ahmed, pediram recursos para ajudar a encerrar duas décadas de desordem no país do leste africano.

O sequestro de navios no Golfo de Áden e no Oceano Índico por gangues somalis causaram um aumento nos preços de seguro e outros custos das rotas marítimas que ligam a Europa à Ásia, e Washington tenta há muito tempo impedir a Al Qaeda de operar na Somália.

"Estamos no alvo. Estamos até um pouco acima. O alvo era 250 milhões de dólares. Parece que estamos acima de 250", afirmou a repórteres Louis Michel, comissário da União Europeia para o desenvolvimento e ajuda humanitária. Ele classificou a conferência como um "sucesso total".

Os organizadores do encontro, presidido por Ban Ki-moon e pela União Africana, disseram que mais de 250 milhões de dólares eram necessários para o próximo ano para ampliar a segurança em uma nação que não possui governo central desde 1991 e está atolada em conflitos.

Autoridades da UE disseram que o objetivo é criar uma força policial de cerca de 10 mil homens e uma força de segurança de 5.000. Também pode haver apoio à missão Amisom, da União Africana, que tem 4.300 soldados no país.

"Restaurar a segurança e a estabilidade na Somália é vital para o sucesso do esforço de reconciliação e a sobrevivência do governo de unidade", afirmou Ban Ki-moon na conferência, realizada sob os auspícios das Nações Unidas.

Ban reiterou que não tem o objetivo de enviar forças da ONU à Somália em breve, dizendo que os soldados de manutenção de paz irão para lá quando "as circunstâncias e condições foram apropriadas."

APOIO A AHMED

Muitos líderes mundiais dizem que Ahmed, um ex-rebelde islâmico eleito em negociações patrocinadas pela ONU em janeiro, oferece a melhor esperança em anos para a restauração da estabilidade no país, embora sua administração seja a 15a tentativa de estabelecer um governo central em 18 anos.

"Estamos firmemente determinados a realizar reformas para tentar aliviar o sofrimento da população somali. Entretanto, só podemos atingir progresso real se conseguirmos restabelecer a segurança no país", afirmou Ahmed.

As ações de piratas se intensificaram na costa somali, apesar da presença de forças navais de mais de uma dezena de países, incluindo forças-tarefa sob comando da Otan, da UE e dos EUA.

A missão de quatro navios da Otan tem seu encerramento marcado para esta quinta-feira. Diplomatas estavam discutindo se ela poderia ser prolongada, e a aliança afirmou que quer regras mais duras para permitir a prisão dos capturados.

Os Estados Unidos, que estão revendo sua política em relação à Somália, planejam ajudar na ampliação das forças de seguranças do país africano e apoiar o novo governo, mas deixaram claro que não têm o desejo de dirigir o processo.

(Reportagem de David Brunnstrom)

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