Phnom Penh, 7 ago (EFE) - Os países e organismos doadores de fundos congelaram a ajuda econômica ao tribunal internacional da ONU para julgar os ex-dirigentes do Khmer Vermelho, em resposta a indícios de corrupção, informou hoje o escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

A decisão implica na paralisação de pelo menos US$ 300 mil de contribuição da comunidade internacional para pagar os salários do pessoal cambojano do tribunal, correspondentes ao mês de julho.

Antes de tomar novas decisões, as Nações Unidas e os outros doadores - União Européia (UE), Japão e Austrália - aguardam a decisão do Gabinete jurídico da ONU em Nova York, que analisa as novas acusações de corrupção que surgiram no final de junho.

Embora o Pnud tenha evitado fornecer detalhes do caso, fontes diplomáticas em Phnom Penh disseram à Agência Efe que as acusações seriam pelo pagamento irregular de dinheiro que vários empregados realizariam a seus superiores como compensação por terem sido contratados para esses postos de trabalho.

Acusações similares surgiram no ano passado em um relatório do Pnud, mas foram desprezadas por falta de provas.

"Agora sim parece que há provas", afirmou à Efe uma fonte que preferiu o anonimato.

Até o momento, também não se sabe a identidade nem o número de pessoas que estariam envolvidas nas supostas práticas corruptas.

O tribunal internacional é composto por cambojanos e funcionários estrangeiros designados pela ONU, sendo que cada contingente dispõe de seu próprio orçamento.

Embora continuem trabalhando normalmente, cerca de 250 cambojanos contratados pelo tribunal não receberam salário no mês passado.

Desde o início dos julgamentos, em 2006, o Pnud administrou aproximadamente US$ 7 milhões destinados ao funcionamento do tribunal internacional.

A União Européia (UE) deu uma contribuição inicial de um milhão de euros para financiar a parte cambojana do tribunal, segundo fontes diplomáticas.

Após dois anos, o tribunal prepara-se para realizar o primeiro julgamento em setembro.

Durante o regime de terror imposto pelo Khmer Vermelho, de 1975 a 1979, cerca de dois milhões de pessoas morreram vítimas de purgações, torturas, fome e doenças. EFE jcp/ab/db

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