DNA liga ex-terrorista ao assassinato de fiscal alemão há 30 anos

Berlim, 20 ago (EFE).- Os resultados de exames de DNA ligam a ex-membro da Fração do Exército Vermelho (RAF) Verena Becker ao assassinato do fiscal Siegfried Buback, crime ocorrido há mais de 30 anos num dos capítulos não esclarecidos na história da organização guerrilheira de extrema-esquerda alemã, dissolvida em 1998.

EFE |

As amostras genéticas achadas nas cartas onde a RAF reivindicava a autoria do assassinato correspondem às de Becker, informaram hoje fontes da procuradoria federal.

Agentes do departamento analisaram hoje a casa da suspeita, de 57 anos e em liberdade há mais de vinte anos.

Buback foi assassinado, junto com dois acompanhantes, dia 7 de abril de 1977 e vários membros da RAF foram condenados, mas até agora se desconhece quem foi o autor material das mortes, que a banda qualificou, segundo seu costume, de uma "ação coletiva".

A procuradoria federal ordenou em 2008 a reabertura do caso, por causa de declarações do ex-membro da RAF Peter Jürgen Boock apontando seu antigo companheiro de armas Stefan Wisniewski, em liberdade desde 1999, como autor material do atentado.

Na reabertura do caso, foram recolhidas novas amostras de DNA de Becker, que por sua vez tinha saído da prisão em 1989 com indulto do então presidente federal, Richard von Weizsäcker.

Becker pertencia à segunda geração da RAF, que surgiu após a prisão de vários de seus fundadores, entre eles Ulricke Meinhof e Andreas Baader.

Os dois cabeças dessa geração, Christian Klar e Brigitte Mohnhaupt, foram condenados pela morte de Buback, junto com seus correligionários Knut Folkerts, Günter Sonneberg e a própria Becker.

Todos eles já deixaram a prisão, por indulto ou em virtude da lei alemã segundo a qual todo réu, incluindo os condenados a prisão perpétua, pode ser libertado após 25 anos de cárcere se não representam perigo à sociedade.

O último libertado foi Klar, em dezembro de 2008, quando ressurgiu a questão da autoria material não esclarecida de muitos dos 30 assassinatos perpetrados pela organização.

No caso de Buback, o principal motivo da reabertura do caso foi seu próprio filho, Michael, que como outros familiares das vítimas reivindica saber quem matou a seu pai.

A organização se dissolveu com um breve comunicado em 1998 no qual anunciava o fim de suas atividades, mas não reconhecia a culpa de crimes ou pedia perdão aos familiares das vítimas.

A RAF foi fundada nos anos 70 por Baader e Meinhof, ele, um ladrão de bancos, ela, uma jornalista de esquerda, como reação à Guerra do Vietnã e contra o "sistema imperialista".

A segunda geração surgiu após a prisão de Meinhof, Baader, sua namorada, Gudrun Ensslin, e Jan-Carl Raspe, encarcerados na penitenciária de segurança máxima de Stammheim.

Seu capítulo mais negro, em 1977, foi o sequestro e morte do empresário Hans Martin Schleyer.

Schleyer foi morto com três disparos na nuca, depois que o grupamento de elite alemão acabasse com o sequestro na Somália de um avião da Lufthansa que estava em poder de militantes palestinos que exigiam a libertação de presos da RAF.

No mesmo dia, Baader, Ensslin e Raspe apareceram mortos em suas celas. EFE gc/fk

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