Divulgado o primeiro vídeo do interrogatório de um preso de Guantánamo

A primeira gravação de vídeo do interrogatório de um detento de Guantánamo foi divulgada nesta terça-feira mostrando um adolescente frágil, o canadense Omar Khadr, chorando copiosamente e perdendo a razão diante de agentes de inteligência do Canadá.

AFP |

O vídeo foi divulgado pelos advogados de Khadr, que é visto sendo interrogado por agentes do Serviço de Inteligência de Segurança de seu país em fevereiro de 2003 na base naval norte-americana de Guantánamo (Cuba).

O vídeo tem 7,5 horas de um interrogatório de três dias. Khadr tinha 16 anos de idade no momento de sua captura em 2002 no Afeganistão por suspeitas de terrorismo.

Inicialmente, foram apresentados 10 minutos e os advogados de Khadr anunciaram que nesta terça-feira será divulgada uma versão completa do vídeo, seguindo ordens da corte.

Nas imagens, que parecem ter sido captadas em um ducto de ventilação, são feitas perguntas a Khadr sobre o que sabe a respeito da Al-Qaeda e sobre sua fé muçulmana. Às vezes chora e puxa os cabelos de desespero, informou o jornal Globe and Mail em seu site.

Também mostra seus ferimentos aos interrogadores. Um deles responde dizendo que está recebendo um bom tratamento médico e que deve cooperar.

Em um determinado momento, um dos agentes tenta acalmar Khadr, que está visivelmente transtornado, dizendo ao preso que entende que "isto é estressante".

Quando Khadr se queixa de que seus compatriotas não o ajudaram no caso, um agente responde: "Não podemos fazer nada por você".

"Quero ficar em Cuba contigo. Pode me ajudar?, pergunta um dos homens da inteligência referindo-se às condições favoráveis do clima na ilha, que contrastam com o duro inverno canadense, em outra passagem do vídeo divulgado nesta terça-feira.

O vídeo de dez minutos não revela se o detento sofreu agressões ou outros abusos físicos na prisão.

Khadr permanece na prisão de Guantánamo, por ter sido acusado de matar um soldado dos Estados Unidos durante um combate no Afeganistão.

A divulgação do vídeo ocorreu depois que documentos do governo mostraram que Khadr foi privado de sono antes de ser interrogado para que admitisse seus crimes mais facilmente, informou a imprensa canadense.

Khadr era levado para uma cela diferente a cada três horas para que ficasse mais suscetível a falar em uma tática que as autoridades norte-americanas descreveram como "programa do viajante freqüente".

A defesa e juristas internacionais insistiram várias vezes para que Omar Khadr fosse tratado como uma criança-soldado.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, pediram em vão para que o primeiro-ministro canadense exigisse dos Estados Unidos a extradição de Khadr, uma rejeição que, segundo a imprensa canadense, agora será mais difícil de ser justificada.

ddl/dm

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