Divisões israelenses dificultam processo de paz com palestinos

Por Adam Entous e Arshad Mohammed JERUSALÉM/WASHINGTON (Reuters) - Seja quem for o próximo governante de Israel, as divisões internas provavelmente inviabilizarão qualquer processo de paz com os palestinos, deixando no limbo as iniciativas do presidente dos EUA, Barack Obama, em relação ao Oriente Médio.

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A centrista Tzipi Livni, que como atual chanceler manteve diálogos com os palestinos, lidera a apuração da eleição de terça-feira, mas seu partido, o Kadima, deve ter uma ínfima maioria no Parlamento em relação ao direitista Likud, do ex-premiê Benjamin Netanyahu.

Uma guinada geral do eleitorado à direita pode significar que o Likud tenha mais chances que o Kadima de formar um governo, após negociações que devem durar várias semanas.

Diplomatas e analistas dizem que eventual vitória da direita praticamente impossibilitará o futuro governo de fazer as concessões necessárias à paz, apesar do compromisso de Obama em reunir os dois lados.

No lado palestino também há sérios empecilhos ao processo de paz, já que o grupo islâmico Hamas governa desde 2007 a Faixa de Gaza, onde Israel realizou uma violenta ofensiva entre dezembro e janeiro. Enquanto isso, a facção laica Fatah, que tem apoio do Ocidente e é rival do Hamas, administra a Cisjordânia, mas vê sua popularidade cair nos últimos meses.

A luta entre Hamas e Fatah pela legitimidade entre os palestinos, o descumprimento da promessa do presidente Mahmoud Abbas (Fatah) quanto à criação de um Estado em meio às suas negociações com Israel, e sua resposta pífia à guerra em Gaza abalaram ainda mais o poder do líder palestino moderado.

"De certa forma, o governo Obama herdará o pior de ambos os mundos", disse o ex-mediador norte-americano Aaron David Miller, autor de "A Terra Prometida Demais: a elusiva busca norte-americana pela paz árabe-israelense."

"Eles já herdaram uma casa palestina disfuncional, piorada por Gaza, e agora estão herdando uma casa israelense disfuncional, onde o primeiro-ministro não conseguirá fazer o tipo de escolha incisiva e dura que é necessária para avançar", acrescentou.

O negociador palestino Saeb Erekat se junto ao clima de pessimismo. Mesmo que Livni, sua interlocutora no diálogo, saia vencedora, ele disse que "o próximo governo israelense será incapaz de cumprir os requisitos para a paz".

Os palestinos exigem principalmente o fim dos assentamentos judaicos da Cisjordânia e das restrições econômicas de Israel aos territórios palestinos.

Resultados parciais da eleição de Israel mostram que o Kadima e os partidos de esquerda somarão 56 das 120 cadeiras do Parlamento, o que seria insuficiente para repetir a atual coalizão de centro-esquerda. A direita, sob a liderança de Netanyahu, controlaria 64 cadeiras.

(Reportagem adicional de Wafa Amr em Ramallah)

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