Divisão entre aiatolás no Iraque marca fim do Ramadã para xiitas

Bagdá, 1 out (EFE).- O final do Ramadã entre a comunidade xiita no Iraque chega marcado pela divisão entre as principais autoridades religiosas do país, que divergem sobre quando deve ser celebrada essa importante festividade muçulmana.

EFE |

O máximo clérigo xiita do Iraque, o aiatolá Ali Sistani, defende, da sua sede na cidade santa muçulmana de Najaf, ao sul de Bagdá, que o último dia do Ramadã é hoje, enquanto o Eid ul-Fite - a festa que rompe o jejum - seria amanhã, conforme informou hoje a agência de notícias "Aswat al-Iraq".

No entanto, os outro quatro aiatolás do Iraque, e que também residem em Najaf, coincidiram ao declarar que o Eid ul-Fite deve se celebrar hoje.

Os aiatolás Mohammed Said al-Hakim, Sayed Sadeq al-Husseini al-Shirazi, Mohammed al-Yaqubi e Ali Najafi emitiram comunicados em que aclaravam sua postura sobre o assunto, em posições discrepantes em relação às idéias de Sistani.

A base das diferenças está em que estes quatro aiatolás consideram que há duas noites já se pôde ver a lua crescente que marca o final do Ramadã, enquanto Sistani acredita que isso aconteceu na noite passada.

À margem do desencontro religioso, analistas iraquianos vêem nestas divergências uma disputa política entre a cúpula religiosa, que visa à representação máxima xiita.

O aiatolá Sistani foi criticado em várias ocasiões, dentro inclusive de sua própria comunidade, por seu silêncio perante o conflito que castiga o Iraque há mais de dois anos e perante a presença das tropas de ocupação no país.

A maioria dos estados árabes sunitas, com exceções como Egito e Marrocos, celebraram ontem o Eid el Fetr, da mesma forma que fizeram os sunitas no Iraque.

No entanto, a divergência entre os próprios xiitas no Iraque é algo muito raro na história do país, já que tradicionalmente seguem um único calendário.

Os xiitas são 10% do total dos cerca de US$ 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo, e a maioria se concentra em Irã, Iraque, Paquistão, Líbano e Ásia Central. EFE nq/rr

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