CARACAS (Reuters) - Milhares de pessoas marcharam neste sábado na Venezuela, mostrando que, depois de mais de dez anos sob comando do presidente Hugo Chávez, a sociedade do país produtor de petróleo continua rachada. Os lemas mudam, mas os motivos continuam os mesmos: uns defendem as radicais mudanças políticas e econômicas que o presidente esquerdista impôs, enquanto outros denunciam que o ex-militar é uma ameaça para a democracia, e seu governo, um nicho de corrupção.

Enfrentando a primeira contração econômica após um período de bonança baseado no petróleo e meses depois de ganhar um referendo que eliminou os limites a sua reeleição, Chávez redobrou o ritmo de sua "revolução socialista", com profundas e polêmicas reformas legais que têm atemorizado seus adversários.

A mais controversa foi a nova Lei de Educação aprovada no mês passado pela Assembleia Nacional e que, segundo a oposição, permitirá ao governo ideologizar as crianças e impor um sistema escolar inspirado na Cuba comunista.

Tremulando bandeiras nacionais e com cartazes que diziam "Marcho pelos meus filhos: não nos calarão", milhares de opositores vestidos de branco percorreram várias avenidas da capital venezuelana até a sede do Ministério Público, que acusam de seguir as ordens do presidente.

"Chega de Chávez. O país não pode continuar como está, destroçado e presenteando os nobres e tudo caindo aos pedaços", afirmou Armando Rodríguez, um engenheiro de 50 anos que estava sob o forte sol do meio-dia.

Na véspera das manifestações, foram realizadas dezenas de concentrações em várias cidades do mundo respondendo a uma convocação com o lema "Chávez, não mais", divulgadas através de sites como o Facebook e o Twitter para protestar contra a política externa do presidente, acusado de interferir nos assuntos de outros países.

Já os seguidores do mandatário, vestidos de vermelho, concentraram-se diante do Ministério das Relações Exteriores, a centenas de metros da manifestação opositora, para defender a nova política educativa e acusar seus adversários de "vender a pátria ao império norte-americano".

"Essa é uma lei que assegura a inclusão, os direitos dos cidadãos, uma educação livre e de qualidade, uma lei que democratiza a universidade venezuelana", disse Douglas Torres, estudante de uma instituição estatal de ensino superior.

Há duas semanas, um protesto em Caracas contra a reforma da educação terminou em confrontos com a polícia, que dispersou os manifestantes com gás lacrimogêneo quando tentavam superar uma barreira que marcava o fim do percurso autorizado.

(Por Eyanir Chinea)

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