Quito, 25 abr (EFE).- A oposição equatoriana chega às eleições gerais de amanhã dividida entre o empresário Álvaro Noboa e o ex-líder Lúcio Gutiérrez, ambos tentando alcançar um segundo turno contra o atual presidente, Rafael Correa.

Estes dois candidatos opositores concentram suas críticas em Correa e esperam que algum acontecimento de última hora reduza a popularidade do presidente, favorito à reeleição.

Noboa e Gutiérrez são os adversários com maiores chances de chegar ao segundo lugar, acima dos outros cinco aspirantes: Martha Roldós, Diego Delgado, Carlos González, Carlos Sagñay e Melba Jácome.

A divulgação de pesquisas eleitorais está proibida desde 6 de abril, mas, até essa data, todas elas previam a vitória de Correa no primeiro turno.

Gutiérrez e Noboa torcem para que ele não consiga superar os 50% dos votos válidos, nem os 40%, com uma distância de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Estas duas hipóteses dão a vitória já no primeiro turno no Equador, diferente do sistema eleitoral brasileiro, no qual ela só ocorre com a maioria absoluta dos votos.

Noboa, apontado como um dos homens mais ricos do Equador, afirma que se houver segundo turno, em 14 de junho, vencerá Correa, por considerar que a polarização política vivida pelo país prejudica o atual Governante.

Segundo Noboa, "há três formas para eliminar um candidato: matando-o, mandando-o para a cadeia e quebrando suas empresas", sendo esta última a opção escolhida por Correa para liquidar sua candidatura.

As pressões do pagamento de impostos por parte do Serviço de Rendas Internas (SRI), a agência de arrecadação do Estado, são para Noboa uma expressão da intenção de Correa de asfixiá-lo economicamente.

Noboa afirma que essas medidas só foram aplicadas contra suas empresas, e não contra as de seus concorrentes, pelo que pediu às autoridades eleitorais o indeferimento da candidatura de Correa, processo no qual não teve sucesso.

O empresário, que dirige o Partido Renovador Institucional de Ação Nacional (Prian), propõe uma "revolução econômica" no país, que ele alega que permitiria à maioria dos equatorianos conseguir salários médios de US$ 2 mil por mês.

Realizar obras públicas, aumentar os incentivos às empresas e promover a dolarização da economia são, entre outras, as propostas deste produtor de bananas, que pensa em financiar seu projeto eleitoral com o apoio de investimentos estrangeiros e de seus amigos empresários, aos quais pedirá "confiança no Equador".

Com outros matizes, a proposta de Lúcio Gutiérrez segue o mesmo caminho, embora ele tenha prometido, durante a campanha, retomar os planos de Governo que foram interrompidos em abril de 2005, quando foi deposto da Presidência, após dois anos no poder.

Gutiérrez, líder do Partido Sociedade Patriótica, foi o maior opositor do Governo de Correa, que acusa, entre outras coisas de relações com o narcotráfico e as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc).

Ele culpou Correa pelo caso de Jose Ignacio "Chauvin", seu ex-subsecretário de Governo, que teve a prisão determinada pela Justiça equatoriana em fevereiro, por ter se reunido com "Raúl Reyes", comandante das Farc que foi morto pelo Exército colombiano em março do ano passado em território equatoriano.

Na ocasião, Correa defendeu Chauvin dizendo que "ele era amigo de Raul Reyes e tampouco isto é crime. Também não é crime neste país simpatizar com as Farc".

Lúcio Gutiérrez propõe mudar a política internacional de Correa, alinhada ao que denomina eixo "Venezuela-Irã-China", e voltar à órbita dos Estados Unidos.

Martha Roldós, Diego Delgado, Carlos González, Carlos Sagñay e Melba Jácome também focam seus ataques contra o Governo de Correa, mas suas possibilidades, segundo as pesquisas, são ínfimas. EFE fa/jp

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