Dívidas pela crise financeira comprometem as promessas de Obama e McCain

Seja Obama ou McCain, o próximo presidente dos Estados Unidos deverá rever as promessas da campanha eleitoral frente à montanha de dívidas acumuladas para tirar o país da crise financeira.

AFP |

Os Estados Unidos fecharam no final de setembro o exercício orçamentário 2008 com um déficit recorde de 455 bilhões de dólares. Esse déficit poderá superar 1 trilhão durante o exercício 2009 que começou no início de outubro.

"O déficit orçamentário vai facilmente dobrar e não haverá margem de manobra para financiar todas as promessas feitas pelos candidatos", ressalta Maya MacGuineas, diretora do Comittee for a Responsible Federal Budget, uma associação de vigilância orçametária apolítica.

A associação calculou que as promessas do republicano John McCain poderão aumentar o déficit de 414 para 482 bilhões, enquanto que as quedas de impostos prometidas por seu adversário democrata Barack Obama se traduzirão por uma diminuição de 360 bilhões nas receitas. Esses resultados seriam apenas parcialmente compensados por economias em outras áreas.

"Nenhum dos candidatos se mostrou realista em matéria orçamentária", lamenta Robert Bixby, diretor da Concord Coalition, uma associação de defesa do rigor fiscal. "Os déficits são inevitáveis. Mas não se pode perder de vista a disciplina orçamentária".

A crise financeira obrigou o Tesouro a elaborar um plano de 700 bilhões de dólares para socorrer o setor, enquanto que a desaceleração econômica pesará certamente sobre as receitas.

Uma das lições da crise financeira é que é "perigoso acumular dívidas demais", considera Bixby, que acredita que um endividamento nacional que já supera os 10 trilhões possa acentuar os desequilíbrios devido às inúmeras aposentadorias das gerações do pós-guerra.

"Gostaria mais que os candidatos renunciassem as suas promessas de campanha do que de conduzissem uma política irrealista", acrescenta. "As pessoas não são idiotas. Elas sabem o que valem essas promessas e que atravessamos uma crise".

Para os Estados Unidos, o risco seria que os investidores e bancos centrais, alarmados pela grandeza das dívidas de Washington, hesitassem em comprar os bônus do Tesouro americano, o que causaria um aumento as taxas de juros e elevaria a dívida do Estado e dos cidadãos.

Obama prometeu reduzir os impostos das rendas inferiores a 250.000 dólares por ano, ou seja, 95% das famílias. John McCain pretende prorrogar as quedas de impostos já concedidas pelo governo Bush para depois de 2011, oferecendo novas deduções às famílias e empresas.

O republicano promete equilibrar o orçamento congelando a maior parte das despesas. O democrata quer obrigar o Congresso a compensar toda despesa por um aumento equivalente das receitas ou por outras economias.

Os especialistas estão céticos, considerando inevitável no futuro um aumento dos impostos.

"Reduzir o déficit é doloroso", lembra Brian Riedl, do centro conservador Heritage Foundation. "Os candidatos não gostam de discutir isso"...

rl/dm

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