Divergências políticas abalam coalizão de governo no Paquistão

Por Kamran Haider ISLAMABAD (Reuters) - Os partidos que compõem a coalizão de governo no Paquistão estão em desacordo sobre a nomeação do presidente e a reincorporação de juízes destituídos pelo ex-presidente Pervez Musharraf. Críticos dizem que o conflito interno impede o governo de agir contra a crescente violência de militantes extremistas e o declínio da economia.

Reuters |

O Partido do Povo Paquistanês (PPP), legenda que lidera a coalizão, afirmou no sábado que Asif Ali Zardari, o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no ano passado, será seu candidato na eleição presidencial marcada para 6 de setembro.

A iniciativa desagradou um outro ex-primeiro ministro, Nawaz Sharif, chefe do segundo partido mais importante na aliança governista, a Liga Muçulmana do Paquistão. Sharif faz pressão para a reincorporação dos juízes removidos por Musharraf no fim do ano passado, mas enfrenta a relutância do PPP.

Musharraf, um forte aliado dos Estados Unidos, renunciou na segunda-feira à Presidência em meio a ameaças de ser destituído do cargo pela coalizão de governo. As profundas diferenças entre o PPP e a Liga Muçulmana parecem cada vez mais conduzir a um rompimento na coalizão, estabelecida há seis meses.

'Se eles tomam medidas unilateralmente, então o que nós podemos fazer? Parece que o Partido do Povo quer romper os laços conosco', disse neste domingo o porta-voz do partido de Sharif, Ahsan Iqbal.

Sharif quer a retirada de vários poderes do cargo de presidente, em especial o direito de destituir o Parlamento.

Mas um dos dirigentes do partido de Benazir deixou claro que só tratará dessa questão depois da eleição do presidente.

Iqbal disse que os líderes da Liga Muçulmana vão reunir-se na segunda-feira para decidir sobre um plano de ação em relação à posição do PPP.

Uma pequena coalizão de partidos da Província da Fronteira Noroeste afirmou neste domingo que irá apoiar Zardari na eleição presidencial. O novo presidente será escolhido pelas duas câmaras do Parlamento e quatro assembléias provinciais.

'É hora de manter a coalizão intacta num momento em que o país enfrenta sérias ameaças do crescente extremismo e da piora da economia. Decidimos apoiar Zardari', disse um porta-voz do partido que lidera o governo na Província da Fronteira Noroeste.

Enquanto os políticos não chegam a um acordo, o extremismo aumenta, tornando mais urgente o fim das disputas internas na coalizão governista e maior atenção aos problemas econômicos e de segurança.

A moeda e as ações do Paquistão se fortaleceram depois da renúncia de Musharraf, mas voltaram a enfraquecer-se com a crise no governo. Na questão da segurança, o Paquistão está sob pressão de seus aliados para controlar a violência dos grupos extremistas que estariam dando abrigo a insurgentes afegãos e ameaçando a própria estabilidade interna do Paquistão.

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