Divergências podem minar real objetivo da cúpula do G20

Teresa Bouza. Washington, 12 nov (EFE).- A menos de dois dias de os principais líderes do mundo se reunirem em Washington para a cúpula do Grupo dos 20 (G20, que reúne países ricos e os principais emergentes), continua o temor de que a diversidade de opiniões desvie o encontro do objetivo principal, que é minimizar o impacto da crise global.

EFE |

Os europeus deixaram claro que viajam à capital americana com a intenção de impulsionar amplas mudanças no sistema financeiro internacional e regulações mais estritas para os bancos.

O ainda presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que deve deixar o cargo em cerca de dois meses, alertou que é pouco provável que a cúpula adote grandes decisões vinculativas.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, reiterou hoje que a reunião do G20 "representa uma oportunidade às nações de dar um passo importante, porém apenas um passo, rumo à necessária reforma" do sistema financeiro internacional.

A isso se soma o fato de que o presidente eleito americano, Barack Obama, não estará presente na reunião, o que pode fazer com que muitos líderes se mostrem reticentes a alcançar acordos com um Governo que está com os dias contados.

Obama anunciou hoje que a ex-secretária de Estado democrata Madeleine Albright e o ex-legislador republicano Jim Leach o representarão em Washington, onde terão encontros não oficiais com membros do G20.

A reunião de ministros de Economia e presidentes dos bancos centrais do G20 que aconteceu no fim de semana passado em São Paulo parece um bom presságio do que ainda estar por vir.

A França, que ocupa a Presidência rotatória da União Européia (UE), se esforça a favor de novas regulações e uma maior supervisão dos mercados financeiros.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e outros líderes europeus querem também iniciar um sistema que permita detectar com adiantamento possíveis desequilíbrios nos mercados financeiros.

EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália temem, por sua parte, que um excesso de regulação estrangule o livre mercado e freie as expectativas de crescimento futuro.

"Vemos um atrito entre o capitalismo anglo-saxão, por um lado, e o capitalismo à moda européia, por outro", diz a ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, em declarações no domingo à imprensa durante a reunião do G20.

Essas e outras opiniões discrepantes, como o papel o Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria ter, são um bom reflexo do complexo leque de interesses diferentes que aparecerão este fim de semana sobre a mesa de negociações em Washington.

O próprio diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, tentou reduzir as expectativas em declarações recentes, ao afirmar que é pouco provável que a cúpula produza uma mudança radical na forma em que se a economia global é conduzida.

A coincidência da cúpula com a pior crise financeira dos últimos 80 anos serviu para que alguns tenham taxado o encontro como Bretton Woods II, em referência à reunião no mesmo local, na qual os países aliados na Segunda Guerra Mundial criaram o FMI e o Banco Mundial.

Strauss-Kahn disse na semana passada, em uma entrevista ao diário "Financial Times", que as coisas não vão mudar da noite para o dia e lembrou que foram necessários dois anos para preparar a conferência de Bretton Woods.

"As palavras soam bem, mas não vamos criar um novo tratado internacional", concluiu.

Para ele, o máximo que se pode esperar da conferência é iniciar grupos de trabalho para futuros acordos que possam alcançar em um prazo aproximado de seis meses.

Sobre o que parece haver acordo é de que existe um ambiente mais propício à regulação, após anos de uma política mais frouxa no livre mercado.

Além disso, e apesar das possibilidades de que haja um progresso real parecerem poucas, ninguém dúvida que os reunidos em Washington enfrentam um delicado exercício diplomático e que terão que andar pisando em ovos para não voltar a gerar pânico nos mercados globais.

EFE tb/rr

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