Divergências impedem que OEA debata retorno de Cuba

Céline Aemisegger. Washington, 22 mai (EFE).- As divergências políticas entre os diferentes grupos regionais na Organização dos Estados Americanos (OEA) impediram hoje que fosse debatido oficialmente, pela primeira vez desde 1962 no Conselho Permanente do organismo, o possível reingresso de Cuba.

EFE |

Na sessão ordinária do Conselho Permanente da OEA convocada para hoje, seriam vistos vários projetos de resolução encaminhados para que a Assembleia Geral do organismo, que será realizada de 2 a 3 de junho em Honduras, ponha fim à suspensão imposta a Cuba em 1962.

Esse ano, em plena Guerra Fria, foi convocada uma reunião de chanceleres em Punta del Este, no Uruguai, em que ficou suspensa a participação de Cuba na OEA devido a seus vínculos com os países do bloco soviético, considerados "incompatíveis" com as ideias do organismo.

Na agenda da sessão de hoje constavam duas resoluções: uma de Honduras, que defendia a derrogação da suspensão a Cuba, e outra da Costa Rica, muito mais cautelosa, que solicitava a opinião do Comitê Jurídico Interamericano sobre os procedimentos legais.

Porém, houve também outros dois textos, dos países caribenhos e da Nicarágua. O conteúdo das quatro minutas era similar mas, segundo explicou a jornalistas o embaixador de Honduras perante a OEA, Carlos Sosa, algumas nações manifestaram sua preocupação com o que aconteceria depois do fim da suspensão a Cuba.

Os Estados-membros da OEA estavam negociando os projetos há dias, mas, perante a impossibilidade de superar as divergências, os diferentes grupos regionais decidiram na quinta-feira, "num pacto de cavalheiros", não apresentar propostas hoje e esperar mais tempo.

De fato, eles pretendem negociar um acordo durante a pausa para o Memorial Day, que se estende nos EUA até segunda-feira, segundo Sosa.

O objetivo é tentar formar "um consenso unânime" e, na medida do possível, apresentar no Conselho Permanente um só documento.

O embaixador hondurenho explicou que as diferenças entre os países não giram em torno da questão de deve ser derrogada a suspensão ou não, dado que sobre a questão há acordo "unânime", inclusive por parte dos EUA.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou na quarta-feira no Senado que Cuba terá que fazer as mudanças necessárias para cumprir os princípios democráticos que regem a OEA antes de poder voltar ao organismo.

Em declarações à imprensa, o embaixador dos EUA perante a OEA, Lewis Amselem, disse que seu país quer derrogar a resolução sobre Cuba, mas pede que haja um "processo" posterior para avaliar como pode se reintegrar e acatar os diferentes instrumentos do organismo sobre democracia e direitos humanos.

Honduras considera que a questão não deve ser colocada agora, porque do que se trata é solucionar o que considera "uma vergonha" histórica da OEA em relação a Cuba.

Uma vez derrogada a resolução que suspendeu Cuba, corresponderá ao Governo de Havana decidir se quer se reintegrar à OEA e o debate sobre como o faria deve acontecer nos órgãos competentes do organismo, como indicou Sosa.

Cuba, tanto pela boca do ex-presidente Fidel Castro como do atual líder, Raúl Castro, disse em público e em particular que não se cogita um retorno à OEA.

Os embaixadores não querem falar diretamente de diferenças políticas, mas a realidade é que, por enquanto, não há consenso sobre como colocar o tema de Cuba na Assembleia Geral da OEA.

Fontes diplomáticas disseram que a decisão de não apresentar os projetos reflete que há divergências políticas, que o tema ainda não está suficientemente "maduro" e que é necessário "mais tempo" para obter apoios.

Honduras, como país anfitrião da Assembleia Geral, pretende conseguir um "consenso unânime" e aponta que vários países já se uniram a sua postura, que é firme e não vai mudar, segundo Sosa.

Os países que impulsionam os projetos de resolução voltarão a colocar a derrogação da suspensão a Cuba na próxima quarta-feira.

Caso a tentativa fracasse, o debate será transferido diretamente à Assembleia Geral, onde o tema será discutido com total segurança.

EFE cai/rr

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