Divergências entre Lula e Lugo por Itaipu adiam assinatura de acordos

Eduardo Davis. Brasília, 7 mai (EFE).- Depois de uma reunião de mais de duas horas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governante do Paraguai, Fernando Lugo, não chegaram a um acordo sobre a represa de Itaipu e deixaram sobre uma mesa vários convênios bilaterais prontos para ser assinados.

EFE |

As diferenças entre os Governos em relação à represa cuja gestão é compartilhada causaram a reformulação de todo o programa anunciado de forma inesperada após pouco mais de duas horas de conversa a portas fechadas entre os dois chefes de Estado e membros de seus gabinetes.

Em um salão anexo, preparado para a ocasião, ficaram sobre uma mesa vários acordos bilaterais que seriam assinados depois da reunião, e que continuarão sendo discutidos durante um jantar que Lula oferecerá em sua residência oficial.

Porta-vozes da Presidência informaram que a conversa entre os líderes continuará durante um jantar e convocaram uma entrevista coletiva no aeroporto de Brasília para amanhã, quando Lugo e Lula viajarão para Campo Grande para inaugurar o Trem do Pantanal.

Antes da reunião com Lula, Lugo visitou a sede do Congresso, onde se reuniu com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Nos dois encontros, houve alusões veladas às divergências em relação à represa de Itaipu e à necessidade de resolver os conflitos em forma "amistosa", sobre a base das "relações históricas" entre os países.

"Convém a todos crescer juntos; esta é a aposta que fazemos na América Latina", ressaltou Lugo, que também disse que o Paraguai acredita que os países mais desenvolvidos deveriam estender a mão aos mais pobres.

"A ninguém convém ter um vizinho pobre, pois, às vezes, isso pode significar não uma ameaça ou um perigo, mas um certo incômodo", ressaltou.

Desde que chegou ao poder, em agosto, Lugo reivindica uma revisão do Tratado de Itaipu, que regula as operações da represa inaugurada em 1982 e construída com capital brasileiro.

Segundo Lugo, o tratado contém cláusulas que prejudicam os interesses do Paraguai e que devem ser modificadas.

O tratado estabelece que Brasil e Paraguai têm direito cada um a 50% da eletricidade gerada na represa e que a energia não usada deve ser vendida ao outro parceiro, a um preço fixo.

O Paraguai satisfaz sua demanda com somente 5% da eletricidade de Itaipu e o resto vai para o Brasil, que paga US$ 300 milhões, um valor que, segundo Lugo, deve aumentar para cerca de US$ 2 bilhões anuais.

Também há diferenças sobre a dívida que se mantém pela construção da represa, calculada hoje em cerca de US$ 19 bilhões e que os dois países pagam por partes iguais.

Segundo o Paraguai, essa dívida deve ser auditada, pois "já foi paga" e não deixa de aumentar devido a um "complexo sistema de juros duplos", como define o negociador paraguaio, Ricardo Canese.

O Brasil, por sua vez, alega que o tratado vence em 2023 e estabelece claramente que não poderá ser revisto até então. No entanto, Lula disse que está disposto a fazer "concessões" para favorecer o desenvolvimento do Paraguai.

Entre elas, estão a construção de uma linha de transmissão desde Itaipu até Assunção, a um custo de US$ 200 milhões, e de duas pontes sobre o Rio Paraná.

Além disso, o Brasil cogita a possibilidade de oferecer empréstimos para o desenvolvimento da indústria paraguaia, mas o Governo de Lugo, até agora, insiste em que é preciso discutir o Tratado de Itaipu, o qual ameaçou denunciar perante tribunais internacionais. EFE ed/db

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