Divergência na OSCE põe em risco cúpula sobre segurança européia

Luis Lidón Lehnhoff. Helsinque, 5 dez (EFE).- Uma divisão interna marcou hoje a conclusão da reunião ministerial da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e deixou no ar a viabilidade da realização de uma cúpula para debater a segurança européia, como deseja a Rússia.

EFE |

Os 56 países da OSCE não conseguiram chegar a um documento final de consenso devido às diferenças entre os países ocidentais e a Rússia sobre a Geórgia, após o conflito que Tbilisi e Moscou tiveram em agosto deste ano.

"Não alcançamos uma declaração política. Foi uma ocasião perdida, mas estivemos muito perto", lamentou o atual presidente da OSCE, o finlandês Alexander Stubb.

Mesmo assim, ele disse que a reunião foi "bem-sucedida" porque depois dos acontecimentos deste ano todos estiveram sentados "na mesma mesa".

O chanceler russo, Serguei Lavrov, lançou a proposta de um novo pacto de segurança perante outros ministros da OSCE, ressaltando que Moscou deseja encontrar "regras de jogo claras para restabelecer a confiança", pois a ausência dela é a "raiz de todos os problemas".

Lavrov colocou um único tratado legalmente vinculativo para todo o espaço euro-atlântico em uma exposição na qual lembrou exigências conhecidas de Moscou, como sua rejeição ao escudo antimísseis que os Estados Unidos planejam instalar na Polônia e na República Tcheca.

A idéia inicial sobre uma cúpula de segurança foi do presidente russo, Dmitri Medvedev, e o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, propôs que essa reunião se realizasse no marco da OSCE em 2009.

No entanto, a ausência de um documento final com as prioridades da organização e as divisões evidentes dificultará a realização da cúpula.

Essa dificuldade foi reconhecida pela Grécia, a próxima a presidir o organismo, embora a chanceler grega, Dora Bakoyani, tenha dito que iria "trabalhar nisso para ver se era possível".

Outros diplomatas consultados consideraram que não era "conveniente" debater agora uma proposta russa.

As divergências do Ocidente com Moscou sobre o desdobramento de tropas russas nas regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia, assim como o bloqueio do retorno dos observadores da OSCE a essa região, tornaram qualquer compromisso impossível, explicaram à Agência Efe fontes diplomáticas.

O acordo de cessar-fogo de agosto previa o desdobramento de um pequeno contingente de observadores da OSCE, que acabou não acontecendo devido ao bloqueio de Moscou.

As diferenças impossibilitaram um acordo que parecia ao alcance horas antes e que inclusive o subsecretário de Estado americano para Assuntos Europeus, Daniel Fried, definiu como o "mais próximo desde 2002".

Nesse ano, sob a Presidência portuguesa, a OSCE adotou a última declaração política por unanimidade, o que reflete a divisão no seio da organização que reúne 56 Estados de América do Norte, Europa e Ásia.

Outra fonte diplomática disse à Efe que desta vez Moscou tinha vontade de negociar para tentar alcançar um compromisso no texto final e facilitar assim o caminho para uma possível cúpula para revisar o sistema de segurança na Europa.

Assim, o debate sobre a segurança na Europa dividiu a OSCE em dois blocos: os países que consideram que a iniciativa é positiva, como Alemanha, França, Itália e Espanha, entre outros, e os que apresentam ressalvas, como EUA, Reino Unido e a maioria dos países do leste europeu.

O presidente da OSCE também lembrou a existência de "divergências" sobre a data e o conteúdo de uma cúpula que a Rússia espera que seja realizada em 2009.

"Muitos dos membros consideram que antes da organização de uma cúpula devemos estar seguros sobre o que vamos discutir exatamente", disse Stubb.

As decisões na OSCE são adotadas por unanimidade, por isso que a oposição de um único membro pode impedir qualquer decisão. EFE ll/ab/rr

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