Ditadores, traficantes, mafiosos e as maiores fortunas do Sudeste Asiático

Carlos Santamaría. Manila, 26 out (EFE) - Ex-ditadores, traficantes de drogas, e antigos lacaios das máfias chinesas são os patriarcas de algumas das famílias mais ricas do Sudeste Asiático, onde vivem como reis, à margem da pobreza da maioria dos habitantes da região. Por suas estreitas relações com regimes políticos corruptos que precisam de seu apoio para se manterem no poder, levam décadas aumentando suas fortunas e reforçando seu controle sobre setores inteiros da economia, enquanto se esforçam para dissipar as dúvidas sobre a origem ilícita de seu patrimônio. Alguns deles têm mandados de prisão expedidos no exterior por tráfico de drogas ou associação com o crime, mas ostentam seu poder em seus países comodamente, pois chegam a ser mais poderosos que qualquer Governo que tentar capturá-los. Um dos caciques locais mais conhecidos da Tailândia é Somchai Kunplome, conhecido como Kanman Poh, a quem os tribunais acusam de ter ficado milionário com a compra e venda fraudulenta de terrenos e contrabando. Em 2004, ele foi condenado a 25 anos de prisão por ter ordenado o assassinato de um adversário político, mas desapareceu há dois anos sem deixar rastros. Acredita-se que viva escondido em algum lugar de seu reduto, na província tailandesa de Chonburi, e dois de seus filhos chegaram a ser ministros na Tailândia.

EFE |

A Indonésia está há uma década lutando para se recuperar do legado de desvio de fundos do regime de Suharto, que morreu em janeiro e cuja família tirou US$ 35 bilhões dos cofres públicos ao longo de 31 anos, segundo os promotores que o investigam há dez anos.

Durante décadas, Suharto liderou as listas de dirigentes mais corruptos do mundo e morreu sem ter se sentado no banco dos réus por nenhum dos dezenas de processos judiciais abertos contra si por desvio de fundos públicos.

Os amigos de Suharto conseguiram escapar da Justiça porque depositaram seu dinheiro em bancos de Cingapura, cidade-estado conhecida como a "Suíça do Sudeste Asiático" por causa de seu obscuro setor financeiro.

Apesar de ser considerada a nação com menor índice de corrupção em toda a Ásia, Cingapura propiciou algumas das maiores fortunas do país, como a da dinastia Wee, dona do Overseas United Bank.

Um dos homens mais ricos da vizinha Malásia é Tiong Hiew King, acusado por várias ONGs no corte ilegal de madeira nas florestas de Papua Nova Guiné.

Nas Filipinas, mais da metade da economia é controlada por uma oligarquia tradicional formada por 20 famílias de origem chinesa e espanhola, que se enriqueceram sob a guarda da elite colonial e a ditadura de Ferdinand Marcos.

Notório parceiro de Marcos foi Lucio Tan, magnata do rum e do tabaco associado às temíveis gangues na província chinesa de Fujian.

Com um patrimônio reconhecido de US$ 1,5 bilhão, o Governo filipino reivindica dele vários bilhões de dólares de empresas que seu mentor lhe entregou supostamente como testa-de-ferro.

Os regimes comunistas de Laos e Vietnã têm em comum o fato de as maiores fortunas pertencerem a altos funcionários do partido único e homens de negócios associados a eles, enquanto a censura impede que casos de enriquecimento ilícito sejam divulgados.

No Camboja, o multimilionário Theng Bunma divide seu trabalho oficial de presidente da Câmara de Comércio de Phnom Pehn com a de líder de uma rede internacional de narcotráfico, segundo a agência antidrogas americana (DEA, em inglês).

Amigo pessoal do general Than Shwe, chefe da Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia), Tay Za é o empresário mais rico do país e em cujas minas de pedras preciosas obriga os trabalhadores a consumirem drogas para aumentar a produtividade, segundo a organização Human Rights Watch.

No entanto, também há milionários sem um histórico de crimes e violações dos direitos humanos.

Segundo a última lista da revista "Forbes", a maior fortuna do Sudeste Asiático e única da região entre as 100 primeiras do mundo supera US$ 10 bilhões e corresponde ao malaio de origem chinesa Robert Kuok, que não parece esconder segredos sobre seu passado.

Kuok, de 85 anos, ficou rico nos anos 1960, quando o Governo concedeu a ele o monopólio das refinarias de açúcar. Daí deu um salto para outros negócios até criar um império que inclui uma imobiliária, plantações de palma e estaleiros, entre outras coisas.

Finalmente, o petróleo do diminuto Brunei criou o homem mais rico do planeta sem necessidade de se imiscuir em negócios sujos: o sultão Haji Hassanal Bolkiah não figura na lista da "Forbes", mas seu patrimônio é estimado em quase US$ 18 bilhões. EFE csm/wr/db

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