O anúncio nesta quinta-feira de que Ali Bongo, filho do falecido presidente Omar Bongo, venceu as eleições presidenciais no Gabão foi contestado pela oposição e causou distúrbios em Libreville e em Port-Gentil (100 km ao sul), onde o consulado francês foi incendiado.

Antes que a Comissão Eleitoral terminasse de apurar os resultados de cada província, os partidários de um dos candidatos atacaram a prisão de Port-Gentil, segunda cidade do país.

Após libertar os presos, os manifestantes se dirigiram ao centro da cidade, donde ergueram barricadas, constatou um jornalista da AFP, que viu um edifício em chamas.

Pouco depois da proclamação dos resultados, alguns opositores atearam fogo no consulado geral da França em Port-Gentil.

O secretário de Estado francês para a Cooperação, Alain Joyandet, afirmou que em Port-Gentil foram realizadas manifestações contra as instalações do grupo petroleiro francês Total e do franco-americano Schlumberger "com dois feridos até o momento, uma gabonesa e uma inglesa".

A Schlumberger anunciou que uma funcionária polonesa ficou "gravemente ferida".

Em Libreville foram registrados incidentes em pelo menos dois bairros populares. Alguns jovens gritavam palavras de ordem contra Ali Bongo e contra a França, acusada de ter "imposto" o filho do presidente Omar Bongo aos gaboneses.

Ali Bongo, de 50 anos, venceu as eleições realizadas domingo no primeiro turno com 41,73% dos votos, à frente de André Mba Obame (25,88%), ex-ministro do Interior, e de Pierre Mamboundou (25,22%), candidato independente, declarou o titular da pasta do Interior Jean-François Ndongou.

Estima-se que a participação tenha sido de 44,29%.

Ali Bongo substitui seu pai Omar Bongo Odimba, morto no começo de junho após 41 anos no poder.

Os outros dois candidatos já haviam se declarado vencedores dias antes.

Um assessor do candidato André Mba Obame afirma que este não reconhece o resultado e que se encontrava "em segurança, em um lugar secreto".

Pierre Mamboundou também está "em um lugar seguro", mas foi "ferido na cabeça e no ombro" durante a dispersão de um protesto pelas forças de ordem, indicam seus assessores.

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