Distúrbios na Grécia: líder socialista pede a renúncia do Governo

O líder da oposição socialista grega, George Papandreou, exigiu nesta terça-feira a renúncia do governo e o recurso ao veredicto popular, depois de três dias de violentos confrontos desencadeados pela morte de um adolescente baleado pela polícia.

AFP |

"A única coisa que o governo pode fazer pelo país é deixar o poder", afirmou Papandréou, falando ante seu grupo parlamentar Pasok. Ele reclamou a realização de eleições antecipadas através de um veredicto popular.

Enquanto isso, a polícia grega usou gás lacrimogêneo para dispersar milhares de pessoas que se manifestavam em Atenas e Salônica.

Um grupo de estudantes protagonizou nesta terça-feira novos confrontos com a polícia que protegia a sede do Parlamento em Atenas.

Milhares de estudantes, professores e militantes da esquerda gregos saíram às ruas na capital Atenas e em Tessalônica, a segunda maior cidade do país, para pedir justiça contra a morte do adolescente.

O protesto de Atenas começou pouco antes do funeral de Alexis Grigoropoulos, o adolescente de 15 anos cuja morte desencadeou a onda de violência em todo país.

Os professores do Sindicato do Ensino Secundário exibiam uma faixa que dizia "O assassino é o Governo".

Dois mil estudantes participam na marcha, que percorrerá as principais ruas da capital e terá seu fim diante do Parlamento.

Na noite de segunda-feira, centenas de jovens realizaram atos de vandalismo e saques no centro de Atenas, após uma manifestação da esquerda marcada por numerosos incidentes, informou a imprensa grega.

O principal alvo dos jovens eram as lojas do exclusivo bairro de Kolonaki, onde estão várias embaixadas, assim como as ruas comerciais próximas ao prédio da Universidade de Atenas e do bairro estudantil de Exarchia.

No primeiro confronto, a tropa de choque da polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e avançou com cassetetes contra 300 jovens que participavam da manifestação contra a morte do adolescente.

Os jovens se concentraram diante do Parlamento e dos hotéis de luxo situados nos arredores da praça Syntagma (Constituição), insultando as forças da ordem e atirando objetos.

Alguns manifestantes atearam fogo a latas de lixo, enquanto outros quebravam com barras de ferro o revestimento em mármore dos locais por onde passavam, para atirar as lascas nos policiais.

As bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia para dispersar os manifestantes tornavam a respiração difícil até dentro dos prédios do centro de Atenas.

Ao menos 10 pessoas foram socorridas nos hospitais da cidade com problemas respiratórios, segundo uma fonte do ministério da Saúde.

A polícia grega prendeu 87 pessoas na terceira noite consecutiva de violência urbana.

Sob a presidência do primeiro-ministro, um conselho de governo se reuniu para analisar a situação.

Um porta-voz oficial qualificou de "totalmente infundados" os boatos de que o governo pretende decretar a lei marcial no país.

Os incidentes começaram quando centenas de pessoas começavam a chegar ao edifício da Universidade de Atenas para a manifestação convocada por sindicatos e pelo pequeno partido parlamentar de esquerda radical, Syriza, em protesto contra a morte de Alexis Grigoropoulos, de 15 anos, baleado sábado por um policial.

str/cn/fp

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