Distúrbios em região muçulmana da China deixam três mortos

Violentos distúrbios em Urumqi, capital da região de maioria muçulmana de Xinjiang, no noroeste da China, deixaram três mortos e mais de 20 feridos neste domingo, informou a agência Nova China.

AFP |

Os distúrbios são os mais graves este ano em Xinjiang, região que tem cerca de 8,3 milhões de uigures e onde diversos grupos denunciam a repressão política e religiosa promovida pela China com a desculpa de combater o terrorismo.

"Três pessoas da etnia 'han' (de origem chinesa) foram assassinadas", anunciou a agência oficial, citando fontes do governo de Xinjiang.

Outras 20 pessoas ficaram feridas nos atos violentos e vários carros foram queimados, segundo a Xinhua.

"O governo regional não informou quantos pessoas se envolveram nos confrontos, mas revelou que houve 'concentrações ilegais' em vários bairros do centro, onde pessoas foram agredidas e lojas atacadas e incendiadas".

"As autoridades enviaram a polícia para dispersar a multidão e prender os agitadores, mas o número de detidos não foi informado", destacou a Nova China.

Um ativista uigur que mora no Japão disse que 1.000 homens da polícia chinesa enfrentaram cerca de 3.000 manifestantes uigures em Urumqi, matando duas pessoas.

Líder da Associação Uigur no Japão, Ilham Mahmut disse à AFP que há informações na Internet sobre a prisão de pelo menos 300 pessoas.

"Às 17h00 local, cerca de 3.000 uigures se reuniram em Urumqi para protestar, e 1.000 policiais chineses os confrontaram. Ouvi que dois uigures já morreram", afirmou Mahmut.

"A polícia chinesa tentou dispersar a manifestação usando bastões elétricos e atirando para o alto", relatou.

"Até o momento, cerca de 300 uigures foram presos e soube que duas pessoas morreram, porque a polícia chinesa está usando estes bastões elétricos utilizados para tocar o gado".

No entanto, afirmou, os manifestantes estão se reagrupando para dar continuidade ao protesto.

"Cerca de 400 pessoas estão tentando retomar a manifestação", indicou.

Segundo Mahmut, as tensões começaram por causa de uma briga em uma fábrica de brinquedos entre chineses e uigures, depois que alguns uigures foram acusados de estuprar uma mulher chinesa.

Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, sediado na Alemanha, disse à AFP que os protestos reuniram mais de 10 mil pessoas e que a polícia deteve 100 manifestantes.

mbx/ap/LR

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