A crise política sem precedentes atravessada pela Tailândia há quatro dias aumentou nesta sexta-feira, com choques entre a polícia e os manifestantes que ocupam a sede do governo para forçar a renúncia do primeiro-ministro Samak Sundaravej.

Os distúrbios ocorreram na noite de quinta para sexta-feira, quando os manifestantes tentaram evitar a entrada de centenas de policiais na "Casa de Governo", onde fica o gabinete do primeiro-ministro Sundaravej, de quem exigem a renúncia apenas sete meses depois de sua chegada ao poder.

Os policiais, entretanto, forçaram novamente a passagem até a entrada principal do edifício.

Samak, de 73 anos e que não está dentro do edifício do governo, reiterou nesta sexta-feira que não autorizará o recurso à força contra os manifestantes.

No entanto, os agentes tentaram impedir com violência a entrada de outros opositores no local e seis pessoas ficaram levemente feridas, segundo várias testemunhas.

Na manhã desta sexta-feira, grupos de opositores bloquearam as entradas de vários aeroportos regionais em sinal de solidariedade com os quase 13.000 manifestantes que continuavam ocupando a "Casa de Governo", mantida sob a vigilância de 8.000 policiais, segundo o coronel Noraboon Nanna.

Os sindicatos dos ferroviários aderiram na quinta-feira ao movimento de protesto e, nesta sexta-feira, o sindicato da Thai Airways lançou uma convocação de greve aos 15.000 funcionários da companhia.

A crise desencadeada na terça-feira pela invasão popular à sede do governo e a uma rede pública de televisão é um grande desafio para Samak.

Os manifestantes pertencem à Aliança do Povo para a Democracia (PAD), uma coalizão de nacionalistas, monárquicos e militantes de movimentos sociais.

A PAD organizou vários protestos contra o governo desde maio e acusa o primeiro-ministro de ser o "testa-de-ferro" de Thaksin Shinawatra, o magnata e ex-primeiro-ministro derrubado por um golpe de Estado em 2006 e atualmente refugiado na Grã-Bretanha.

O partido de Samak, dominado pelos homens de Thaksin, venceu em dezembro as primeiras eleições depois do golpe militar.

Além da renúncia do primeiro-ministro, os manifestantes exigem a manutenção da Constituição elaborada sob o governo da junta militar.

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