Distribuição de cargos gera primeira crise de futuro Governo paraguaio

Assunção, 10 jul (EFE).- A distrubuição de cargos no futuro Governo paraguaio abriu hoje a primeira crise na coalizão que levou o presidente eleito Fernando Lugo ao poder, a Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

EFE |

Faltando 35 dias para o ex-bispo assumir a Presidência, a nomeação do ex-senador Carlos Mateo Balmelli, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, centro-direita), como diretor da Usina Hidrelétrica de Itaipu, causou a renúncia, posteriormente retirada, da futura chanceler Milda Rivarola, do Partido País Solidário (PPS, socialista).

Rivarola tem "diferenças pessoais" com Mateo e preferia que o cargo ficasse com Ricardo Canese, do Movimento Popular Tekojojá e especialista em temas energéticos, segundo a imprensa local.

A designação também não foi bem recebida nesta última organização, que expressou através de um comunicado que "o processo de defesa e recuperação da soberania energética" durante a campanha de Lugo "não teve continuidade" com a escolha de Mateo.

A direção da represa, a mais cobiçada entre os funcionários públicos pelos altos salários e pelos recursos que controla, era desejada por outros grupos que fazem parte da APC.

No entanto, a reação de Rivarola se justificaria pelo fato de que com Canese se esperava uma negociação mais firme com o Brasil na reivindicação de melhores condições no contrato de construção que rege o aproveitamento energético bilateral.

As reivindicações do Paraguai se concentram na revisão do tratado, de 1973, para que a energia excedente vendida ao Brasil tenha preço de mercado.

Rivarola tinha afirmado que um dos principais desafios do novo Governo, que assumirá em 15 de agosto, será a renegociação em Itaipu com os melhores expoentes do setor, já que as autoridades brasileiras disseram que vão se opor à ela em troca de outras compensações.

A designação de Mateo, advogado e ex-vice-chanceler, também surpreendeu o vice-presidente eleito e presidente do PLRA, Federico Franco, que também tinha seu próprio candidato, já que agora o nomeado integra a corrente liberal dissidente.

Franco afirmou hoje que seu partido "não está sendo correspondido" com a repartição de cargos, pois o PLRA foi o principal responsável pela vantagem de 192.507 votos de Lugo sobre a candidata presidencial do Partido Colorado, a ex-ministra Blanca Ovelar, em abril passado.

"Não tenho problemas em reconhecer que estou sendo deixado de lado", afirmou Franco, ao insistir que o grupo dirigido por ele "controla quatro dos dez ministérios mais importantes, assim como 29 cadeiras na Câmara dos Deputados e 14 no Senado".

Com esses números, o PLRA é a segunda minoria tanto em senadores quanto em deputados, atrás do derrotado Partido Colorado, que obteve uma cadeira a mais em ambas as câmaras.

A crise na futura coalizão governante aconteceu horas antes da realização de uma convenção do PLRA para definir, entre outros assuntos, sua relação com o futuro Governo, embora os delegados tenha definido retirar as diferenças internas do partido.

Nenhum dos quatro ministros liberais designados por Lugo nas pastas de Obras Públicas (Efraín Alegre), Justiça e Trabalho (Blas Llano), Agricultura e Pecuária (Cándido Vera) e Indústria e Comércio (Martín Heisecke) são próximos ao vice-presidente eleito. EFE lb/rb/plc

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