Dissolução do partido governista não resolve a crise

A decisão do Tribunal Constitucional tailandês de dissolver o partido governista e duas formações menores da coalizão no poder, além de cassar os direitos políticos do primeiro-ministro, representa uma vitória para a oposição, mas não soluciona a crise política que afeta o país.

AFP |

O veredicto anunciado nesta terça-feira veio uma semana depois das manifestações antigovernamentais que provocaram o fechamento do principal aeroporto da capital, impedindo a viagem de muilhares de turistas estrangeiros.

O tribunal proibiu o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, de exercer funções políticas por cinco anos.

Após o anúncio, a oposição informou que encerrará todas as manifestações na manhã de quarta-feira.

"O impacto será importante, crítico, possivelmente catastrófico", afirma à AFP Thitinan Pongsudhirak, analista político da Universidade Chulalongkorn de Bangcox.

"Eliminaram quase uma geração inteira de políticos tailandeses", argumenta.

Um total de 75% dos políticos do país, membros das diretorias dos partidos dissolvidos, foram punidos por fraude nas eleições de dezembro de 2007, que terminaram com o governo militar depois que o ex-premier Thaksin Shinawatra foi derrubado por um golpe de Estado em 2006.

Os seguidores da Aliança do Povo pela Democracia (PAD), rivais de Thaksin, protestavam desde maio contra o governo, que acusavam de ser um fantoche do ex-primeiro-ministro.

Giles Ji Ungpakorn, também analista político da Chulalongkorn, afirmou que o veredicto é um "golpe de Estado judicial" e criticou a participação cada vez maior dos tribunais na vida política do país.

"Não vai resolver os problemas. Mostra que a elite se alinhou contra o governo e contra a maioria dos eleitores".

A sentença represente o fim político do cunhado de Thaksin, Somchai Wongsawat, mas não necessariamente o fim do governo.

O Partido do Poder do Povo (PPP) anunciou que seus membros se reagruparão em uma nova formação e pretendem apresentar uma nova candidatura ao posto de premier.

Para Chris Baker, autor de livros sobre a política tailandesa, a situação pode se agravar novamente caso os opositores desaprovem a escolha do novo primeiro-ministro.

Neste caso, ele acredita que o Exército entraria em ação.

As relações entre o atual governo e os militares é péssima, mas o comandante das Forças Armadas descartou uma repressão das manifestações por teer um banho de sangue.

Se a crise não for solucionada, os analistas acreditam que o país se voltará para o venerado rei Bhumibol Adulyadej, que fará um discurso à nação esta semana, em que faz aniversário.

No regime de monarquia constitucional, o soberano só interveio em temas políticos em duas ocasiões nos 62 anos de reinado, mas deu várias sugestões indiretas em seus discursos anuais.

A rivalidade entre seguidores do PPP e da PAD tem origem na profunda divisão dentro da sociedade tailandesa entre partidários e detratores de Thaksin Shinawatra. Os primeiros são maioria na população rural e os segundos são membros das elites, da burocracia e dos palácios.

cm/fp

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