Dissidentes veem sinais a Cuba em discurso de posse de Obama

Havana, 20 jan (EFE).- Dissidentes cubanos assistiram hoje, no Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana (Sina), à transmissão pela TV da posse presidencial de Barack Obama, em cujo discurso houve alusões a Cuba e uma mensagem para que as autoridades da ilha meditem.

EFE |

"O mais importante é ter assistido à manutenção da democracia mais antiga das Américas", declarou à Agência Efe o líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDHRN), Elizardo Sánchez, um dos convidados à reunião organizada pela Sina para acompanhar a posse ao vivo.

De acordo com Sánchez, o novo presidente enviou "claras mensagens de advertência àqueles que fazem o mal, e também mensagens encorajadoras para que os que fazem o bem".

"Fez alusão a Cuba, a meu modo de entender, quando falou daqueles que perseguem dissidentes", acrescentou.

O discurso de Obama, que foi ovacionado pelos convidados na sede da Sina em cada uma de suas aparições, entrará para a história como um "clássico da política", completou à Efe o economista Óscar Espinosa, um dos 75 opositores presos em 2003, e agora com licença para ficar em liberdade por motivos de saúde.

"Recomendaria a todos os cubanos, mas muito especialmente às autoridades cubanas, que leiam, meditem, porque Obama é um exemplo de bom governante, de homem valente, sobretudo", avaliou Espinosa.

"Os cubanos devem entender que Obama pode criar melhores condições para o triunfo da democracia em nosso país, mas a responsabilidade recai sobre os ombros dos cubanos", afirmou.

Miriam Leyva, fundadora da organização "Damas de Branco" - que reúne familiares de 75 opositores presos pelo regime cubano em 2003 - disse à Efe que o Governo local "deve aceitar de forma muito séria" a disposição de Obama "de conversar e melhorar as relações" com a ilha.

Outros dissidentes classificaram o discurso do novo presidente americano como "valente, importante, realista e impactante".

Menos esperançoso, Misael, trabalhador autônomo de 36 anos, declarou que "as eleições são uma coisa" e "a Presidência é outra".

"Um homem só não pode fazer tudo o que quiser em um país como os EUA. Ali há muitos interesse em jogo. Penso que vai ficar pela metade do que planejou e em suas promessas", concluiu. EFE arj/fr

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