Declaração é feita por cubanos em Madri; outros quatro presos políticos libertados devem chegar à Espanha na quarta-feira

O grupo de sete dissidentes cubanos que chegou nesta terça-feira à Espanha após ser libertados por Cuba afirmou que eles representam "o início de um caminho que pode ser o começo de uma mudança" na ilha.

Cubanos libertados acenam após chegada a Madri, na Espanha
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Cubanos libertados acenam após chegada a Madri, na Espanha
As declarações foram feiras por Ricardo González Alfonso em nome de seus companheiros Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, pouco após chegar a Madri.

Outros quatro presos cubanos, acompanhados de seus familiares, devem chegar na quarta-feira à Espanha, informou nesta terça-feira o ministro espanhol de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos. O ministro não revelou a identidade dos presos que partem esta noite de Havana rumo a Madri.

Os presos recém-libertados afirmaram que sua viagem à Espanha é o início de uma nova etapa na luta por Cuba e expressaram sua esperança de que os que ficaram na Ilha possam gozar das mesmas liberdades das quais eles desfrutam agora.

González destacou que essas libertações "não são o último passo" e acrescentou que graças à participação da Igreja cubana, liderada pelo cardeal Jaime Ortega, e do "acompanhamento do governo espanhol", o diálogo com o regime castrista terminará com a libertação de todos os presos.

Gálvez, que leu um comunicado conjunto, lembrou que a abertura desse diálogo foi possível graças à luta de milhares de cubanos em prol da liberdade, da democracia e da paz.

Os dissidentes mencionam especialmente no comunicado o "martírio de Orlando Zapata ", o dissidente Guilllermo Farinãs , que fez uma greve de fome durante 135 dias, e a "fé inquebrantável das Damas de Branco (familiares dos presos políticos) e do exílio".

Orlando Zapata era um pedreiro, dissidente e preso político, que foi preso em 2003 e morreu em 23 de fevereiro, aos 37 anos, após uma greve de fome que manteve durante 85 dias.

González negou que esse primeiro grupo de libertados se sinta manipulado e esclareceu que, em todos os processos de diálogo, é necessário ceder, embora deixe claro que sua atitude na prisão foi a de não ceder.

Agora - acrescentou -, "cada um tomou o caminho que considerou conveniente", em relação aos libertados que decidiram não abandonar Cuba. "Para nós, o exílio é um prolongamento da luta e se pode lutar de muitas formas", disse González, que considera que "uma palavra percorre Cuba e é a palavra mudança, que cada um interpreta de um ponto de vista diferente. Significa liberdade, não só a nossa, mas a de todos os cubanos".

Os sete presos libertados após mais de sete anos de cativeiro fazem parte do grupo de 75 dissidentes   que, em abril de 2003, foram condenados a longas penas de prisão por supostamente atentar contra a soberania e independência do Estado, conspirar com os Estados Unidos e solapar os princípios da revolução.

Segundo o Ministério espanhol de Assuntos Exteriores, até o momento 20 dissidentes comunicaram o desejo de viajar à Espanha, pelo menos de forma transitória. O governo cubano se comprometeu a libertar um total de 52 presos de forma gradual até quatro meses.

Repercussão

O Brasil e os EUA saudaram a libertação nesta terça-feira dos prisioneiros políticos. Para o chanceler brasileiro, Celso Amorim, o governo cubano caminha na "direção correta" com a decisão de libertar os dissidentes.

nullO Departamento de Estado dos EUA elogiou a participação da Espanha e da Igreja Católica cubana na mediação com Cuba para libertar os opositores, classificando o acordo de "um acontecimento positivo".

Chegada à Espanha

Os cubanos chegaram nesta terça-feira a Madri em dois voos separados que deixaram Havana na noite de segunda-feira. Os sete dissidentes e suas famílias somam cerca de 53 pessoas, segundo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha.

Segundo o ministério, no primeiro voo viajaram Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, juntamente com seus familiares. Em outro avião, que pousou no aeroporto de Barajas cerca de uma hora depois, chegou Ricardo González Alfonso.

Na segunda-feira, Moratinos afirmou que os dissidentes cubanos serão cidadãos livres e desfrutarão de plenos direitos. Eles contarão com "o apoio e a assistência" do governo espanhol para que possam encontrar uma casa.

Horas antes de os dissidentes partirem, o ex-presidente Fidel Castro, de 83 anos, apareceu na TV estatal . Em uma entrevista de uma hora e meia, Fidel falou sobre assuntos internacionais como Coreia do Norte e Irã, e voltou a atacar os Estados Unidos.

*Com EFE e AFP

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