Havana, 10 jun (EFE).- A plataforma opositora cubana Agenda Para a Transição pediu hoje à União Européia (UE) que não trabalhe em favor do Governo da ilha, mas de seu povo, e assegurou que em Cuba ainda continuam presos mais de 200 dissidentes por razões políticas.

"Continuam nas prisões de Cuba mais de 200 presos por razões políticas, entre eles 55 prisioneiros de consciência do grupo da Primavera Negra de 2003, o que motivou a resposta que deram (na UE) naquele momento e que os senhores devem revisar", afirmou uma carta da plataforma divulgada em Havana.

O opositor Vladimiro Roca, membro do secretariado da Agenda para a Transição, disse à Agência Efe que a carta foi entregue hoje na Embaixada da França em Havana, quando faltam seis dias para que a UE avalie a vigência das "medidas" tomadas em 2003 contra o Governo de Cuba.

Essas medidas, que não incluem sanções concretas, obrigavam os Governos europeus a restringir suas visitas oficiais à ilha, e a convidar dissidentes aos atendimentos a clientes em suas embaixadas em Havana. Apesar disso, boa parte das recomendações foi suspensa em 2005, embora ainda não tenha sido eliminada oficialmente.

A UE aprovou as medidas após as condenações, em julgamentos sumários, de 75 dissidentes e a execução de três seqüestradores na primavera de 2003.

Embora fossem suspensas, Havana exige sua eliminação definitiva para retomar o diálogo político com o bloco.

"Apesar de o regime de Cuba pressionar para que se retirem o que (...) chamam de sanções, continua a perseguição dos dissidentes, os vários golpes e detenções. O que acontecerá se chegarem a restabelecer as chamadas relações normais?", questiona o grupo.

Essa plataforma indica que, "para propiciar 'relações normais' sem as chamadas sanções (...), deve-se levar em conta o povo de Cuba, do qual faz parte a dissidência, porque, do contrário, seria castigar toda a sociedade civil e, em particular", os que lutam pela democracia.

"O que o Governo quer é que se ignore a existência de uma oposição interna para ser permitida a continuação das violações dos direitos humanos e não ter reprovação por parte da União Européia", acrescentou.

Quando perguntado se a plataforma deseja manter a atual situação, o opositor respondeu: "sim", e se remeteu a uma mensagem enviada no fim de maio pelo dissidente Oswaldo Payá à UE, na qual qualifica de "inconseqüência moral" uma relação normal desse bloco com o Governo cubano enquanto houver presos políticos.

"Depois da carta feita por Payá, tudo está dito", acrescentou Roca. EFE jlp/bm/db

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