Dissidentes do governo sul-africano lançam novo partido

Uma cerimônia realizada na África do Sul nesta terça-feira marcou o lançamento oficial no país de um novo partido político, formado em sua maioria por dissidentes do governista Congresso Nacional Africano (CNA). O novo partido, Congresso do Povo (Cope), será liderado por Mosiuoa Lekota, ex-ministro da Defesa.

BBC Brasil |

Durante a cerimônia, Lekota afirmou que o movimento é "o partido do futuro" e vai oferecer um lar para todas as raças do país.

De acordo com analistas, o novo partido pode representar uma oposição de peso ao CNA. O Cope deve desafiar a força da legenda governista nas eleições nacionais que serão realizadas no ano que vem.

Lekota fez suas declarações no evento de lançamento do partido em Bloemfontein, em que foi nomeado presidente do Cope.

"A história da África do Sul nunca será a mesma", disse o ex-ministro. "Nosso partido será não-racial e vai oferecer um lar verdadeiro para todos os sul-africanos, independentemente de sua raça, classe ou sexo."
O CNA vem governando a África do Sul desde a queda do governo da minoria branca, há 14 anos. Até hoje, o principal partido de oposição no país era a Aliança Democrática, cujos simpatizantes são em grande parte brancos ou mestiços.

Democracia
O Cope surgiu após a renúncia do ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, que deixou o cargo depois de um longo embate com o líder do CNA, Jacob Zuma.

Muitos dos que apóiam o novo partido estavam descontentes com a forma como Mbeki foi forçado a deixar a Presidência.

O correspondente da BBC Peter Biles, presente no evento em Bloemfontein, diz que os delegados do Cope têm travado fervorosos debates políticos.

Eles vêem o lançamento do partido como um momento-chave, que marca o crescimento e o desenvolvimento da jovem democracia sul-africana.

Zuma também esteve em Bloemfontein nesta terça-feira para um evento do CNA, apontado como uma tentativa de diminuir o impacto da festa do Cope.

Depois da escolha de Lekota como líder, o Cope elegeu o ex-primeiro-ministro da província de Gauteng, Mbhazima Shilowa, como primeiro vice-presidente do partido.

O Cope também anunciou o nome de seu primeiro ilustre simpatizante: o clérigo e militante anti-apartheid Allan Boesak.

Boesak recebeu boas-vindas calorosas da platéia presente no lançamento do partido e, em seguida, afirmou que a maré virou contra o CNA.

Nome
Lekota, que negou qualquer possibilidade de reconciliação com o partido do atual governo, disse que o crescimento da economia sul-africana será a chave da campanha eleitoral do Cope.

"Precisamos lutar contra o desemprego e fazer a nossa economia crescer", disse. "Nossa abordagem é estabilidade, trabalho duro e crescimento."
A formação do novo partido foi marcada por uma longa e turbulenta busca por um nome.

O CNA havia dito que tinha prioridade sobre o nome Congresso do Povo, já que este foi o nome dado a um histórico evento realizado pelo CNA em 1955.

Mas um tribunal decidiu, no início deste mês, que o novo partido tinha permissão para usar o nome.

O nome Cope já era a terceira opção do movimento.

A primeira, Congresso Nacional Sul-Africano, foi questionada pelo CNA por ser muito semelhante ao seu próprio nome.

A segunda opção, Congresso Democrático Sul-Africano, já havia sido registrada como nome de um outro partido.

Teste eleitoral
Em seu primeiro teste eleitoral no início deste mês, os dissidentes do CNA conquistaram dez entre 27 regiões da província do Cabo Ocidental - área onde a popularidade do partido do governo sempre foi baixa.

Os integrantes do Cope tiveram de concorrer como candidatos independentes por causa da disputa a respeito do nome do partido.

Segundo o correspondente da BBC, o desafio para o novo partido é se distanciar de Mbeki e evitar ser visto como um grupo de amargurados derrotados na conferência nacional do CNA, em Polokwane, no ano passado, quando Zuma derrotou Mbeki na disputa pela liderança do partido.

Mas Peter Biles acrescenta que o Cope - que afirma ter mais de 400 mil membros - está em posição de ameaçar seriamente a hegemonia do CNA, que tem hoje cerca de 650 mil integrantes.

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