Dissidentes de governantes formam novo partido na África do Sul

Johanesburgo, 2 nov (EFE).- A convenção nacional de dissidentes do governante Congresso Nacional Africano (CNA) decidiu hoje formar um Executivo interino do novo partido, que ainda não tem nome, para se apresentar às eleições gerais de 2009 na África do Sul.

EFE |

O novo partido político, promovido por Mosiuoa Lekota e Mbhazima Shilowa, e ao qual presumivelmente uma parte da militância do CNA se unirá, será constituído formalmente em 16 de dezembro em Bloemfontein, capital judicial da África do Sul.

Shilowa, ex-governador da província de Gauteng onde se encontram Pretória e Johanesburgo, renunciou a seu cargo e deixou o CNA há um mês, após a cassação pelo partido do ex-presidente do país Thabo Mbeki.

Segundo Shilowa, dentro de "dois ou três dias" o nome da nova legenda será divulgado.

"Necessitamos de um nome, uns símbolos e umas cores que nos identifiquem", disse Shilowa em coletiva de imprensa antes do comitê de direção do novo grupo se reunir para escutar as proposta de representantes provinciais e formar um Executivo nacional interino.

Na convenção deste fim de semana, a qual mais de seis mil delegados de todo o país assistiram, se confirmou o apoio que a iniciativa tem por parte de importantes empresários e destacadas personalidades da sociedade sul-africana.

O diretor da Universidade da África do Sul, Barney Pityana, que foi um dos oradores que participaram do congresso, qualificou o atual sistema representativo do país de "arcaico" e disse que era um "insulto à inteligência dos cidadãos".

A maioria dos líderes da oposição também assistiu ao evento, entre eles a presidente da Aliança Democrática, Helen Zille, que descreveu esta convenção como um "ponto de inflexão na história do país", governado pelo CNA desde o final do sistema segregacionista do apartheid, em 1994.

O presidente do CNA, Jacob Zuma, convocou para esta manhã um comício político no célebre distrito de Soweto, ao sul de Johanesburgo, ao qual 20 mil pessoas assistiram.

"Lekota disse então que estava se divorciando do CNA" e agora voltava a se "casar com o partido político de Helen Zille, a Aliança Democrática", disse Zuma em seu discurso, com o que vinculava o novo partido a uma organização que se associa com a minoria branca do país.

Por sua vez, o presidente interino da África do Sul, Kgalema Motlanthe, designado pelo CNA para substituir Mbeki após sua cassação, disse hoje em declarações à televisão estatal que quer que o grupo de dissidentes volte a se unir ao partido.

"Se a postura da nova legenda se aproximasse da nossa", tentaríamos fazer com que voltassem a se unir a nós, disse Motlanthe.

No entanto, o jornal local "The Sunday Times" afirmou hoje que o CNA já preparou uma lista de membros que provavelmente abandonarão o partido com a constituição formal da nova organização.

O próprio jornal diz que, segundo pesquisas, entre os dissidentes poderia haver até 100 parlamentares do CNA, que tem maioria absoluta de 279 deputados em uma Assembléia Nacional de 400 membros.

Na sexta-feira passada, o CNA apresentou uma solicitação à Corte Suprema de Pretória para que proibisse que a nova organização adotasse o nome de Convenção Nacional da África do Sul, uma denominação citada depois que Lekota anunciou a iniciativa.

Segundo o CNA, eles estão tentando proteger "seu selo, seu nome e sua identidade" e "não permitirão que a organização liderada por Shilowa e Lekota seja feita com sua propriedade intelectual". EFE hc/ab/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG