Dissidentes chineses denunciam tentativa de silenciá-los em visita de Hillary

Ativistas chineses dos Direitos Humanos disseram, neste sábado, que a polícia os intimidou para que não protestassem durante a visita a Pequim da secretária de Estado americana Hillary Clinton.

AFP |

"Estou em prisão domiciliar por causa da visita de Hillary Clinton", revelou à AFP Zeng Jinyan, umas das mais conhecidas dissidentes chinesas, mulher de Hu Jia, ativista atualmente preso, em uma mensagem divulgada na internet.

Zeng, de 25 anos, mãe de uma menina pequena, contou ter sido informada pela polícia que não poderia sair de casa para se encontrar com Gao Yaojie, militante do movimento contra a Aids, que chegaria a Pequim para uma reunião com Clinton, no domingo.

Segundo a organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD), a polícia também intimidou Jiang Qisheng, ativista da praça da Paz Celestial, que já foi preso por sua militância democrática, e que também planejava se reunir com a secretária de Estado americana.

A organização citou o nome de outros dissidentes que sofreram o mesmo tipo de abordagem, todos signatários da Carta 2008, manifesto que pede reformas políticas na China e irritou as autoridades.

A CHRD denunciou também que alguns ativistas foram colocados em prisão domiciliar e submetidos a interrogatórios, enquanto outros passaram a ser vigiados pela polícia durante as 40 horas da passagem de Clinton pelo país.

A última etapa de sua primeira viagem como secretária de Estado, que a levou ao Japão, à Indonésia e à Coréia do Sul, começou na sexta-feira e termina no domingo.

As medidas preventivas tomadas pelo governo contra os dissidentes vêm à tona em meio a comentários polêmicos de Clinton, afirmando que a administração de Barack Obama não pretende pressionar Pequim sobre esta questão agora, para evitar que a discussão de outros temas seja bloqueada.

"Temos que continuar pressionando", ponderou Clinton em Seul, pouco antes de embarcar para a China, "mas nossas pressões não podem interferir na crise econômica mundial, na crise do aquecimento global e na crise da segurança".

Suas declarações causaram indignação em grupos de defesa dos direitos humanos em todo o mundo, como a Anistia Internacional, que disse estar "extremamente decepcionada" com a postura da secretária de Obama.

"Os Estados Unidos são um dos poucos países que podem influenciar a China de maneira significativa em questões de direitos humanos", estimou T. Kumar, diretor para a Ásia da Anistia Internacional dos EUA.

A visita de Clinton acontece em um momento delicado para o governo chinês, que em breve enfrentará uma série de datas incômodas.

No dia 10 de março, por exemplo, o levante contra o domínio chinês no Tibete, que deixou 87.000 mortos e terminou com a fuga do Dalai Lama, completa 50 anos.

Há 20 anos, no dia 4 de junho, o exército chinês entrou na praça da Paz Celestial para sufocar protestos pela democracia, matando centenas de pessoas.

frb-kma/ap

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