Dissidentes afirmam que UE se subordinou a Governo cubano

Havana, 25 out (EFE) - Representantes da dissidência interna de Cuba afirmaram hoje que a visita do comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, ao país para retomar a cooperação ao desenvolvimento com a ilha serviu para que o Governo impusesse suas condições à União Européia (UE). Alguns dissidentes qualificaram de esquizofrênico o fato de o bloco defender o diálogo do Governo cubano com a oposição e que os funcionários da UE não se reúnam com ela, embora a maioria tenha se mostrado propícia a que a União envie ajuda a Cuba, se realmente chegar ao povo. Dá a sensação de que a UE está fraquejando frente ao Governo cubano, disse à Agência Efe Miriam Leiva, jornalista independente e membro fundadora das Damas de Branco, que reúne mulheres parentes dos 75 condenados em 2003 em julgamentos sumaríssimos. Esse episódio levou o bloco europeu a estabelecer sanções diplomáticas contra Cuba, às quais Havana respondeu suspendendo as relações de cooperação com a UE, que foram reatadas na quinta-feira passada, durante a visita de dois dias de Michel à ilha. Leiva destacou que a cooperação e o diálogo são positivos, mas, em sua opinião, estão sendo manipulados pelo Governo cubano, já que Michel aceitou um comunicado no qual afirma que a cooperação é sem condição nenhuma. O Governo cubano e o comissário estão jogando uma ajuda humanitária ao povo cubano, que precisa dela, às custas de questões muito mais importantes, que são: ...

EFE |

), que se dêem passos reais que beneficiem o povo, uma abertura do sistema", disse.

Já Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, o reatamento das relações ocorre "sob as regras impostas pelo Governo cubano sem que tenham mudado as circunstâncias" que motivaram a suspensão de 2003.

Enquanto isso, Oscar Espinosa Chepe, preso com licença extrapenal do grupo dos 75, disse que a visita de Michel o "decepcionou mais ainda que a anterior", em março, mas ressaltou que dá a ele "o benefício da dúvida" perante a possibilidade de que "pudesse haver libertações" de presos políticos. EFE jlp/db

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