Dissidente Guilhermo Fariñas é libertado em Cuba

Detenção, que durou menos de 24 horas, ocorreu quando Fariñas se dirigia a delegacia para obter informação sobre opositores

AFP |

O opositor cubano Guillermo Fariñas foi libertado nesta sexta-feira de sua segunda prisão em menos de 24 horas, conforme informou sua mãe Alicia Hernández. 

"Já está em casa. Eles o libertaram. Está cansado, mas está bem", declarou Hernández à AFP por telefone na cidade de Santa Clara, a leste de Havana. 

Antes, Hernández havia informado que seu filho, ganhador do Prêmio Sakharov 2010 concedido pelo Parlamento europeu, permanecia sem poder ser contatado. 

Depois de ter sido detido por cerca de seis horas na quarta-feira , Fariñas foi novamente preso na tarde de quinta-feira na Praça da Revolução de Santa Clara quando se dirigia com uma dezenas de opositores para um posto policial para questionar sobre outros presos, segundo Hernández. 

Fariñas, psicólogo e ciberjornalista de 49 anos, recebeu em dezembro o Prêmio Shakarov 2010 depois de protagonizar uma greve de fome entre fevereiro e julho de 2010 para exigir a libertação de presos políticos, o que lhe valeu várias sequelas em sua saúde. 

Fariñas iniciou sua greve de fome um dia depois da morte do preso opositor Orlando Zapata Tamayo, em 23 de fevereiro de 2010, depois de 85 dias sem comer. O dissidente suspendeu a greve em 8 de julho, 135 dias depois, quando o governo de Raúl Castro - que substituiu seu irmão Fidel em 2006 -, em um inédito diálogo com a Igreja, autorizou a libertação de 52 opositores que ficaram na prisão de um grupo de 75 presos e condenados em 2003. 

Um total de 41 dos 52 já foram libertados, 40 aceitaram imigrar e partiram para Madri, um ficou em Cuba e os 11 restantes, que se negam a ir para a Espanha, permanecem na prisão. 

'Mercenário'

O governo atribui condutas 'antissociais' a Fariñas, terceiro opositor cubano a receber o Prêmio Sakharov - depois de Oswaldo Payá em 2002 e as Damas de Branco em 2005 -, e o considera um "mercenário" pró-Estados Unidos. 

Premiado por ser um "lutador da liberdade e dos direitos humanos", Fariñas foi representado por uma cadeira vazia em 15 de dezembro na cerimônia de entrega do Sakharov em Estrasburgo, pois não recebeu autorização oficial para viajar. 

De formação militar, oriundo de Santa Clara e filho de dois fervorosos revolucionários, Fariñas se distanciou do governo em 1989, quando se opôs ao polêmico fuzilamento do general Arnaldo Ochoa, acusado de narcotráfico. A partir de então, iniciou sua atividade opositora e foi preso em três ocasiões.

    Leia tudo sobre: cubadissidente políticoguilhermo fariñas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG