Dissidente cubano termina greve de fome iniciada há 135 dias

Decisão de Guillermo Fariñas ocorre após Igreja anunciar que Cuba aceitou libertar em até quatro meses 52 presos políticos

iG São Paulo |

O dissidente cubano Guillermo Fariñas terminou nesta quinta-feira a greve de fome e sede que iniciou há 135 dias para pedir a libertação de 26 presos políticos com problemas de saúde, um dia depois de a Igreja Católica anunciar que o governo cubano aceitou libertar em até quatro meses 52 prisioneiros . O anúncio foi feito após um encontro entre o presidente cubano, Raúl Castro, o cardeal Jaime Ortega e o chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos , em Havana.

Cinco dos prisioneiros seriam libertados em breve e transferidos à Espanha para viver com suas famílias. Em nota, a Igreja informou nesta quinta-feira que os primeiros a serem libertados serão Antonio Villareal Acosta, Lester Gonzalez Pentón, Luis Milan Fernández, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco Avila. Os outros 47 serão soltos gradualmente nos próximos quatro meses.

Fariñas, que passa por tratamento médico e está internado em um hospital da cidade de Santa Clara desde março, iniciou a greve de fome em 24 de fevereiro. O protesto começou pouco depois da morte do prisioneiro político Orlando Zapata, depois de 85 dias de greve de fome. Seu estado era crítico desde a semana passada, quando sua saúde se complicou com uma trombose , mas não piorou nos últimos dias.

Antes da suspensão total da greve de fome, Fariñas havia anunciado que estaria disposto a começar a beber água com a libertação dos primeiros cinco presos políticos, afirmando que abandonaria completamente o protesto após a soltura de pelo menos dez presos doentes.

Mas, segundo o médico Ismeli Iglesias, os companheiros da oposição de Fariñas fizeram de tudo desde a quarta-feira à noite para convencê-lo a abandonar a greve o mais rápido possível por causa da piora de sua saúde.

Desde 19 de maio, a Igreja Católica vinha negociando com o governo cubano pela libertação dos chamados presos políticos, que são considerados criminosos comuns por Havana. Como resultado anterior ao anúncio da libertação dos 52 presos, houve a soltura de um dissidente doente e a transferência de outros 12 a prisões das províncias onde residem seus familiares.

Repercussão nos EUA

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que a anunciada libertação de 52 presos políticos em Cuba é "tardia", mas "bem-vinda" . A chefe da diplomacia dos EUA, país que não mantém relações com Cuba há quase meio século, afirmou que é um "sinal positivo" o anúncio da libertação do restante do grupo de 75 dissidentes detidos em 2003 na Ilha comunista. "É algo tardio, mas, no entanto, bem-vindo", disse Hillary.

Os Estados Unidos, que mantêm um embargo comercial contra Cuba desde 1962, demandam a libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos. O regime cubano nega que na ilha haja presos políticos e considera que os opositores são "mercenários" do governo americano. Nas prisões cubanas, estão atualmente 167 presos políticos, 34 menos que no fim de 2009 , conforme relatório da opositora Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN).

Por causa dos 75 políticos detidos, a União Europeia (UE) impôs sanções a Cuba, levantadas temporariamente em 2005 e definitivamente em 2008 por iniciativa da Espanha que, nos últimos anos, tentou aproximar Havana e Bruxelas.


*Com EFE, AFP e Ansa

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