Dissidente cubano se diz disposto a morrer por seus ideais

Santiago do Chile, 26 mar (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há um mês, se mostrou hoje disposto a demonstrar ao mundo que é capaz de morrer por seus ideais e por sua pátria para desacreditar o Governo de Cuba.

EFE |

"Esta é um situação que não acontece todos os dias com um patriota, poder demonstrar para todo o mundo que é capaz de morrer por seus ideais e pelo bem de sua pátria", declarou Fariñas à "Radio Cooperativa", do Chile.

O cubano, de 48 anos, começou sua greve de fome dois dias depois da morte do também dissidente Orlando Zapata, falecido em 23 de fevereiro, para pedir ao presidente de Cuba, o general Raúl Castro, a soltura de 26 dissidentes que estariam muito doentes.

Segundo o opositor, o Governo cubano pode tratar a morte de Zapata "como uma casualidade, mas minha morte já seria uma generalidade do comportamento" do Estado.

"Acho que vai se conseguir que o mundo perceba que os opositores políticos cubanos são eliminados há mais de meio século", apontou.

Fariñas criticou a "suposta solidariedade" do Governo cubano no exterior para "evitar que o mundo se fixe nas barbaridades e crueldades humanitárias que faz no interior".

O dissidente cubano está internado desde o dia 11 na unidade de terapia intensiva do hospital de Santa Clara, a 270 quilômetros ao leste de Havana, depois de ter sofrido uma paralisia renal durante 36 horas.

O opositor explicou que está pedindo "um gesto de boa vontade por parte do Governo cubano" e lembrou como Raúl Castro lamentou a morte de Zapata durante a visita à ilha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 23 de fevereiro.

"Se seu lamento não foi cínico, hipócrita e falso, para que não tenha que lamentar outras mortes, que por favor ponha os dissidentes em liberdade para que não exista outro Orlando Zapata", concluiu Fariñas. EFE cgz/bba

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