Dissidente cubano pretende manter greve de fome até as últimas consequências

O jornalista dissidente cubano Guillermo Fariñas afirmou, em uma entrevista publicada pelo jornal El País, que tem vocação de mártir e que vai prosseguir em greve de fome e sede até as últimas consequências para pedir a libertação de 26 presos políticos que estão enfermos.

AFP |

"Até os psicólogos do ministério do Interior dizem que é meu perfil: eu tenho alta vocação de mártir", afirmou Fariñas, que está uma semana sem ingerir líquidos nem alimentos e que não hesitou na resposta ao ser perguntado se desejava morrer: "Sim, quero morrer".


"Sim, quero morrer", diz Guillermo Fariñas, em greve de fome há uma semana / EFE

"Já é hora de que o mundo perceba que este governo é cruel, e há momentos na história dos países em que devem existir mártires", insistiu.

" Orlando Zapata foi o primeiro elo na intensificação da luta pela liberdade de Cuba. Eu fui o que pegou o bastão no revezamento, e quando eu morrer outro vai pegar", disse.

O dissidente Orlando Zapata morreu no dia 23 de fevereiro após uma greve de fome de 85 dias.

"Seguirei até as últimas consequências... para conseguir o objetivo de que o governo liberte os 26 presos políticos que estão enfermos, e até que os próprios serviços médicos do Ministério do Interior considerem que devem ser colocados em liberdade, pois não vão sobreviver na prisão", disse Fariñas na entrevista.

Fariñas deseja ainda "que o governo pague um alto custo político pelo assassinato de Orlando Zapata Tamayo".

"O terceiro objetivo é, se eu morrer, que o mundo entenda que o governo deixa morrer seus opositores e que o que aconteceu com Orlando não é um caso isolado", completou.

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