Havana, 5 abr (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome e sede desde o dia 24 de fevereiro, disse hoje que o presidente Raúl Castro tirou a máscara e confirmou que o deixará morrer, ao afirmar ontem à noite que não cederá à chantagem dos Estados Unidos, da Europa e da oposição cubana sobre direitos humanos.

"Com o discurso de Raúl Castro, o regime tirou a máscara e deixou mostrar seu rosto sanguinário. Ele disse que ia me deixar morrer", declarou Fariñas à Agência Efe por telefone do hospital de Santa Clara, onde está internado desde meados de março. Ele acrescentou que manterá o jejum.

"Isso não é conveniente para minha família, amigos e irmãos, mas para a causa sim, porque vai desmascarar a essência assassina do regime. Vamos continuar a greve de fome porque o desafio lançado pelo presidente não é pessoal para nós, mas para toda a oposição pacífica".

Segundo Fariñas, o discurso do general ao encerrar o congresso do ramo juvenil do Partido Comunista de Cuba "demonstra a intolerância do regime de não querer sob nenhuma hipótese dialogar com a parte da cidadania que ousou enfrentá-lo de maneira pacífica e civilizada".

"A partir desse discurso, nós radicalizamos ainda mais nossa posição. Dissemos aos médicos que não queremos nenhum contato com nenhum funcionário político nem policial, apenas com a família e o pessoal médico", acrescentou.

"A única coisa que nos resta é morrer com dignidade para demonstrar ao mundo a cara do regime. Aceitamos o desafio de morrer por meus ideais", declarou o dissidente.

Psicólogo e jornalista opositor, Fariñas, de 48 anos, começou seu protesto depois da morte do dissidente Orlando Zapata após uma greve de fome de 85 dias na prisão. EFE rmo/sa

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