Dissidente cubano desmaia ao completar 7 dias sem comer e beber

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome e sede há sete dias, desmaiou nesta quarta-feira e foi internado pela família em um hospital da cidade de Santa Clara, informaram fontes da oposição cubana.

iG São Paulo |

Segundo Liset Zamora, encarregada de acompanhar o protesto de Fariñas, ele foi levado para o Hospital Arnaldo Milian, onde está recebendo soro.

Fariñas, jornalista independente de 48 anos, começou a greve no dia 24 de fevereiro, um dia depois da morte do preso político Orlando Zapata, que fazia greve de fome para pedi a libertação de 26 presos políticos em mau estado de saúde.


Guillermo Fariñas em foto tirada durante a greve de fome / EFE

"Últimas consequências"

Antes de desmaiara, Fariñas afirmou, em uma entrevista publicada pelo jornal "El País", que tem "vocação de mártir" e que vai prosseguir em greve de fome e sede até as últimas consequências para pedir a libertação de 26 presos políticos que estão enfermos. 

"Até os psicólogos do Ministério do Interior dizem que é meu perfil: eu tenho alta vocação de mártir", afirmou Fariñas, que está uma semana sem ingerir líquidos nem alimentos e que não hesitou na resposta ao ser perguntado se desejava morrer: "Sim, quero morrer".

"Já é hora de que o mundo perceba que este governo é cruel, e há momentos na história dos países em que devem existir mártires", insistiu.

" Orlando Zapata foi o primeiro elo na intensificação da luta pela liberdade de Cuba. Eu fui o que pegou o bastão no revezamento, e quando eu morrer outro vai pegar", disse.

O dissidente Orlando Zapata morreu no dia 23 de fevereiro após uma greve de fome de 85 dias.

"Seguirei até as últimas consequências... para conseguir o objetivo de que o governo liberte os 26 presos políticos que estão enfermos, e até que os próprios serviços médicos do Ministério do Interior considerem que devem ser colocados em liberdade, pois não vão sobreviver na prisão", disse Fariñas na entrevista.

Fariñas deseja ainda "que o governo pague um alto custo político pelo assassinato de Orlando Zapata Tamayo".

"O terceiro objetivo é, se eu morrer, que o mundo entenda que o governo deixa morrer seus opositores e que o que aconteceu com Orlando não é um caso isolado", completou.

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