A médica dissidente cubana Hilda Molina, autorizada a sair da Ilha após 15 anos de permanência forçada, chegou a Buenos Aires neste domingo, onde foi recebida pelo filho e netos no Aeroporto Internacional de Ezeiza.

"Obrigado a todos" foi a única frase de Molina, retirada de uma multidão de jornalistas pela polícia aeroportuária.

Após 15 anos de espera, Molina, de 66 anos, saiu da sala de desembarque visivelmente emocionada, e se lançou de braços abertos sobre os netos Roberto Carlos, de 13 anos; e Juan Pablo, 8, que não conhecia pessoalmente.

A médica também deu um longo abraço no filho, Roberto Quiñones; e na nora argentina, Verónica.

Molina chegou a Buenos Aires com o objetivo principal de visitar sua mãe, Hilda Morejón, de 90 anos, que está doente.

Antes de abandonar Cuba, no final da tarde de sábado, a médica disse à imprensa que partia da Ilha sem "uma gota de rancor".

"Não tenho qualquer problema com eles (Fidel e Raul Castro); não concordo com seu governo, mas isto não quer dizer que os considero pessoas ruins (...), não guardo uma gota de rancor".

A dissidente cubana, que lutava há anos por uma permissão para visitar a família na Argentina, foi autorizada finalmente a deixar Cuba na sexta-feira.

Hilda Molina, neurocirurgiã de fama internacional, dirigiu o Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN) até 1994, quando foi destituída e se tornou uma férrea opositora ao regime de Fidel Castro.

A médica, que foi ligada ao Partido Comunista de Cuba nos anos 80, destacou na sexta-feira que sua família está acima da política.

Dirigentes da dissidência cubana qualificaram a decisão de Havana de "mínimo ato de humanidade", estimando que foi a "libertação de uma refém".

ls/LR

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