Liu Xiaobo, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2010
O dissidente chinês Liu Xiaobo conquistou nesta sexta-feira a edição 2010 do Prêmio Nobel da Paz. O anúncio foi feito pelo Comitê do Nobel da Noruega em Oslo, capital do país.
Poeta e professor de literatura, Liu cumpre uma sentença de 11 anos por "incitar a subversão ao poder do Estado", após assinar um manifesto em 2008 no qual defende uma reforma democrática na China. Liu foi escolhido entre 237 nomeados e tem direito a um cheque no valor de US$ 1,6 milhão, aproximadamente R$ 2,68 milhões.
Liu receberá o prêmio "por seu longo trabalho não violento em favor dos direitos humanos na China", disse a comissão da premiação. "O comitê Nobel deliberou largamente antes de tomar essa decisão, que relaciona os direitos humanos e a paz."
"Nas últimas duas décadas, Liu Xiaobo foi um grande porta-voz em favor da aplicação dos direitos fundamentais na China", afirmou a instituição, que lembrou a participação do ativista no protesto da Praça da Paz Celestial de 1989, em Pequim, reprimida pelo regime chinês.
O dissidente participou, além disso, de diversas manifestações públicas de artistas e ativistas em favor dos direitos humanos na China.
O governo chinês reagiu afirmando que premiação era "obscenidade" e prejudicaria as relações com a Noruega. O país também criticou duramente Oslo depois que o prêmio de 1989 foi dado ao líder espiritual do Tibete, Dalai Lama.
Concedido desde 1901, o Prêmio Nobel da Paz é um dos cinco prêmios instituídos em seu testamento pelo químico e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896). Ele é escolhido anualmente pelo Comitê do Nobel da Noruega, formado por cinco pessoas nomeadas pelo Storting, o Parlamento norueguês. Entre os vencedores do Nobel da Paz estão nomes como Al Gore, Kofi Annan, Yasser Arafat e Nelson Mandela. No ano passado, quem venceu foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Nos últimos dias foram divulgados os vencedores nas categorias de Medicina, para o britânico Robert G. Edwards; de Física, dividido pelos russos Andre Geim e Konstantin Novoselov; de Química, para o americano Richard Heck e os japoneses Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki; e de Literatura, para o escritor peruano Mario Vargas Llosa. A rodada de anúncios se encerra na próxima segunda-feira, quando será comunicado o vencedor de Economia.
Premiação fora da Suécia
O Nobel da Paz é o único concedido fora da Suécia. Alfred Nobel, inventor da dinamite, estava profundamente preocupado pelos horrores da guerra após comprovar os efeitos desse explosivo no conflito franco-prussiano e quis que um de seus prêmios fosse para "a pessoa ou entidade que mais ou melhor tenha contribuído à aproximação dos povos, à supressão ou redução dos Exércitos permanentes e à promoção de congressos pela paz".
Constituída a Fundação Nobel, os prêmios foram concedidos pela primeira vez em 1901, aos cinco anos da morte de seu criador. O primeiro Nobel da Paz foi partilhado pelo francês Fréderic Passy, fundador da primeira organização francesa em favor da paz, e pelo suíço Jean Henry Dunant, promotor da Convenção de Genebra de 1864, que fundou a Cruz Vermelha.
A concessão do Nobel da Paz levantou várias críticas e polêmicas em torno da personalidade e dos antecedentes da pessoa escolhida. Por causa das duas guerras mundiais, o prêmio não foi outorgado por 19 vezes.
Em 25 ocasiões foi compartilhado e, em apenas uma, foi concedido a título póstumo ao sueco Dag Hammarskjold, que foi secretário-geral da ONU. Além disso, foi rejeitado pelo vietnamita Le Duc Tho, que, ao ser nomeado em 1973, não tinha ainda conseguido a paz em seu país, o Vietnã do Norte.
O prêmio é entregue em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, em cerimônia em Oslo.
*Com EFE
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