Dissidência cubana denuncia 25 detenções após morte de preso político, diz jornal

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, uma das organizações do movimento dissidente de Cuba, afirmou que durante toda a manhã desta quarta-feira ocorreram prisões nas províncias do centro e leste do país para evitar que os opositores do regime compareçam ao enterro do preso político Orlando Zapata Tamayo.

iG São Paulo |

Com 42 anos, Zapata morreu na terça-feira após uma greve de fome de 85 dias, iniciada para exigir a melhora das condições de sua prisão.

AFP
Orlando Zapata, em foto de 2003
Orlando Zapata, em 2003
"Temos confirmadas pelo menos 25 detenções e outras prisões domiciliares", afirmou Elizardo Sánchez, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Reconcialiação, segundo o El País.

Apesar das ações do governo, informa o jornal espanhol, dezenas de ativistas se mobilizaram para protestar pacificamente e comparecer ao enterro de Zapata em sua cidade natal, Banes, que fica a 830 quilômetros a leste da capital cubana, Havana.

Zapata morreu mesmo após ter sido transferido de um presídio na província de Camaguey, onde começara a sua greve de fome, para um hospital da capital de Havana.

Desde 2003, a organização internacional de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional classificava Zapata como "prisioneiro de consciência".

Na época, ele foi preso com 75 adversários políticos do regime comunista cubano. Ele é o primeiro prisioneiro político a morrer de fome no país em quase 40 anos.

AFP
Dissidente cubana faz homenagem a Zapata em Havana

Dissidente cubana faz homenagem a Zapata em Havana

A dissidente Martha Beatriz Roque, membro do grupo de 75 presos que foi libertada por questões de saúde, partiu de Havana a Banes em companhia de outros opositores. Segundo Martha, apesar de ela e seu grupo terem conseguido viajar, outros ativistas da capital teriam sido detidos preventivamente.

"A morte de Orlando sem dúvida é um desafio para a oposição e, para o governo, é um problema muito grande: quem permitiu que ele morresse não mediu o alcance político", afirmou a dissidente.

Reação do governo cubano

O presidente de Cuba, Raúl Castro, disse nesta quarta-feira em Havana que a morte de Zapata é resultado da relação do país com os Estados Unidos.  "Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos", disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Raúl, porém, não detalhou qual seria a responsabilidade dos EUA no incidente. 

*Com informações da BBC

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