Disputa republicana por Casa Branca começa nesta terça em Iowa

Caucus de Estado rural, fundamental para o financiamento das campanhas, tradicionalmente aponta quais candidatos perderão disputa

Carolina Cimenti, de Nova York |

O longo processo de seleção do candidato republicano que desafiará Barack Obama nas eleições presidenciais de 6 novembro nos EUA começa nesta terça-feira com o caucus de Iowa, com o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney , o deputado federal Ron Paul e o ex-senador Rick Santorum como favoritos, segundo as últimas pesquisas. A votação começa às 19h locais (23h em Brasília), com os resultados sendo esperados poucas horas depois.

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AP
Pré-candidato republicano Mitt Romney faz campanha em Davenport, Iowa. Ex-governador de Massachusetts é um dos favoritos para vencer caucus
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O caucus de Iowa é extremamente importante por ser o primeiro grande teste para os pré-candidatos. E, segundo Cary Covington, professor de história política da Universidade de Iowa, ele ganhou importância por “um acidente histórico”.

Ele explica que, em 1972, os democratas resolveram agendar o primeiro caucus lá, e Jimmy Carter, que até aquele momento era um candidato obscuro, venceu e passou a ficar mais conhecido. Depois disso, Carter ganhou quase todas as primárias e cáucuses que vieram, até ser nomeado e ganhar a eleição para a presidência. “Iowa foi tão importante para a campanha de Carter que depois disso todos os pré-candidatos começaram a investir semanas inteiras de campanha no Estado”, relatou.

Numericamente, Iowa só rende ao candidato três votos para a nomeação, mas seu caucus é famoso por apontar não quem vencerá, mas quem perderá as eleições. “Com a única exceção de John McCain em 2008, que ficou em quarto lugar no Estado, tradicionalmente os candidatos que não ficam em primeiro, segundo ou terceiro lugar em Iowa não conseguem a nomeação do partido”, afirmou Covington.

Segundo uma pesquisa do Des Moines Register publicada no sábado e feita com 602 eleitores republicanos que votariam em Iowa, Romney teria 24% das intenções de votos, seguido por Ron Paul com 22% e Rick Santorum com 15%. Mas Santorum, católico devoto, ocuparia o segundo lugar, com 21%, se for considerada uma pesquisa prévia, realizada entre terça e sexta-feira passadas.

Além de virar superstição e tradição, o caucus de Iowa também se transformou em um grande sinal de como o resto da população votará. Os analistas políticos costumam dizer que a população desse Estado rural representa uma amostra bastante fiel do resto da população americana, então o voto de Iowa ajuda a entender como os EUA como um todo tenderão a votar.

Finalmente, Iowa é fundamental para o financiamento das campanhas eleitorais . O dinheiro tende a seguir os vencedores, aumentando o número de doações para os candidatos que se saem bem no Estado. Os candidatos que perdem tendem inclusive a abandonar a competição para evitar grandes dívidas de campanha. E é aí que entra a grande importância do segundo teste, a primária de New Hampshire, que tradicionalmente ocorre uma semana depois do caucus de Iowa.

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“Quando um candidato não vai bem em Iowa, tenta recuperar a força na segunda primária. Quando falha nos dois lugares, nada o salva”, garantiu Covington.

O caucus de Iowa tem cerca de 50% de acerto na previsão de quem será o candidato nomeado. Do lado republicano, entre os seis últimos vencedores do caucus, três acabaram como os candidatos oficiais: George W. Bush, Bob Dole e Gerald Ford. Do lado democrata, entre os nove vencedores de Iowa, cinco foram nomeados, e dois deles, Obama e Carter, acabaram ganhando as eleições.

Em 2012, depois do caucus de Iowa nesta terça-feira e da primária de New Hampshire, em 10 de janeiro, o cenário republicano poderá mudar radicalmente. “Espera-se que pelo menos dois candidatos abandonem a competição até lá, passando de sete para cinco pré-candidatos, ou até menos”, completou o professor de Iowa.

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