Disputa política sobre reeleição marca 10 anos de Chávez no poder

Caracas, 6 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebeu o apoio de seus partidários e o repúdio de seus opositores à possibilidade de seguir no poder, ao lembrar hoje o triunfo que há uma década o levou ao Governo pela primeira vez.

EFE |

Enquanto seus partidários se reúnem em frente ao palácio presidencial de Caracas para lembrar a vitória de Chávez de 6 de dezembro de 1998 e para expressar seu apoio a que a reeleição indefinida seja aprovada em referendo, os partidos opositores confirmaram seu repúdio à idéia.

O Governo, em uma passeata, e a oposição, em comunicado, abriram um debate que terminará com a decisão, via referendo, se Chávez deixará o poder ao fim do seu mandato em 2013 ou se continuará pelo menos até 2019.

Nesse ano, confirmada a aprovação da emenda, terão passado mais de duas décadas desde seu triunfo inicial de 1998, quando aos 44 anos de idade pôs fim a meio século de alternância no poder dos atuais opositores que, segundo Chávez, são culpados por vários problemas do país.

Esta foi a base da insistência de Chávez para que se vote a favor da reeleição contínua, e se anule a única que agora a Constituição autoriza, empenho que verá coroado ou negado no referendo que decidirá o assunto dentro de dois meses.

Será a Assembléia Nacional (AN, unicameral), de maioria chavista, que se encarregará de redigir a partir da próxima semana a emenda constitucional respectiva.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) já disse que está preparado para que o referendo aconteça em fevereiro.

Horas antes da passeata pelos dez anos de Chávez no poder e de apoio para que siga exercendo, os partidos da oposição expressaram formalmente sua rejeição à reeleição, mas disseram confiar que derrotarão a emenda "nas ruas e nas urnas".

"Não, presidente, 14 anos são suficientes", disseram os opositores em comunicado, que lembrou que Chávez, a quem atribuíram "ambições ilimitadas de poder", foi eleito pela primeira vez há dez anos.

Chávez já se proclamou pré-candidato para as eleições que em dezembro de 2012 decidirão o período presidencial 2013-2019, mas para isso deverá conseguir em referendo, previsto para fevereiro, a aprovação de uma emenda constitucional que permita a hoje proibida reeleição contínua.

A oposição lembrou que a reeleição sem limites foi rejeitada há um ano em outro referendo sobre essa e outras reformas, mas que "se as instituições não funcionam e permitem" que a proposta seja votada novamente, está disposta "a enfrentá-la e a derrotá-la com os votos da grande maioria dos venezuelanos".

O comunicado, lido por Omar Barboza, do Partido Um Novo Tempo (UNT), ressaltou que os opositores rejeitam "a proposta de reeleição antidemocrática, inconstitucional, contrária ao interesse nacional e por tentar implantar um regime militarista e autoritário que persiga todos que pensem diferente ao Governo".

Após destacar que a oposição governa "cerca de 50% da população do país" depois das eleições municipais e regionais de 23 de novembro, o comunicado revelou que foi constituído o "Comando Nacional pelo Não".

Esse grupo é formado por "equipes que trabalharão em todos os cantos do país para derrotar a ambição de um só homem de perpetuar-se no poder", segundo o comunicado, que "ratifica a confiança no voto como forma de resolver conflitos políticos".

Julio Borges, do partido Primeiro Justiça, disse que a oposição está pronta para "dar uma resposta legal e política", porque não estão "aceitando passivamente este referendo".

"É uma situação de fato e não de direito nem de Justiça" e "iremos aos tribunais processar a inconstitucionalidade" do referendo, mas "estamos preparados para a luta na rua" e depois para dar uma resposta nas urnas, acrescentou. EFE ar/rr

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