Disputa partidária mata ao menos 14 na maior cidade do Paquistão

Multidão enfurecida sai às ruas de Karachi depois de ministro regional conclamar população a se livrar de partido rival

iG São Paulo |

Incidentes desencadeados por disputas partidárias deixaram ao menos 14 mortos nesta quinta-feira em Karachi, maior cidade do Paquistão, localizada no sul do país.

Uma multidão enfurecida saiu pelas ruas causando distúrbios e queimando veículos depois que o ministro regional Zulfiqar Mirza, dirigente do governista Partido do Povo Paquistanês (PPP), conclamou a população de Karachi e Hyderabad, segunda maior cidade da Província de Sindh, a "se erguer e se livrar" de um partido rival, o Movimento Muttahida Qaumi (MMQ).

AFP
Paquistanês caminha perto de veículo em chamas após nova onda de violência na cidade portuária de Karachi
"Apelo ao povo de Karachi especialmente, e de Hyderabad, que se erga por si mesmo, pelo Paquistão, por Karachi e por seus filhos inocentes, e se livre desses amaldiçoados", afirmou, referindo-se aos dirigentes do MMQ.

Em declarações transmitidas repetidamente pela TV, ele também acusou os mohajirs - descendentes dos falantes do idioma urdu que migraram da Índia - de serem ingratos com o lar que receberam com a criação do Paquistão, em 1947. Além disso, chamou de "criminoso" o chefe do MQM, o exilado Altaf Hussain.

O ministro provincial do Interior Manzoor Wasan disse que os distúrbios deixaram 14 mortos, 25 feridos e 30 veículos queimados desde a noite de quarta-feira. Pelo menos uma pessoa foi morta em Hyderabad, segundo a polícia.

Vários protestos ocorreram em Karachi e outras cidades de Sindh, onde centenas de manifestantes queimaram pneus e imagens de Mirza, exigindo sua demissão do cargo de ministro provincial. Em diversos bairros, tiroteios foram ouvidos a noite toda, e muitas ruas estão fechadas em Karachi.

Por causa da violência, o governo do Paquistão ordenou nesta quinta-feira o envio de centenas de policiais paramilitares extras para as ruas de Karachi. "Enviamos novas tropas para Karachi", afirmou o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, em Islamabad.

Mirza depois recuou dos ataques verbais. "Minhas declarações ontem à noite foram minha visão pessoal, e não se destinavam a ferir os sentimentos de ninguém. Mas, se fiz isso, peço desculpas sinceramente", declarou em nota.

Karachi, com 18 milhões de habitantes, tem um longo histórico de violência étnica, religiosa e sectária. Como capital comercial do país, qualquer distúrbio ali pode ter sérias consequências econômicas para o Paquistão.

A capital financeira do Paquistão se transformou no palco das disputas pelo poder de várias etnias ligadas a partidos políticos e grupos criminosos. Na semana passada, outros distúrbios étnicos e políticos na cidade haviam deixado mais de cem mortos. 

Pelo relatório da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), no ano passado foram assassinadas 750 pessoas na cidade, com e sem vinculação a partidos políticos.

*Com Reuters, EFE e AFP

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