Disputa interna do partido Kadima entra na reta final em Israel

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - A previsão de vitória feita por um candidato incendiou na segunda-feira a modorrenta campanha interna do partido Kadima para a sucessão do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.

Reuters |

O ministro dos Transportes, Shaul Mofaz, que nas pesquisas aparece atrás da chanceler Tzipi Livni, deu um palpite sem margem a dúvidas.

'Acredito que na quarta-feira vou ganhar em um só turno, com 43,7 por cento dos votos', disse o ex-general a jornalistas na noite de domingo, baseando-se num modelo estatístico preparado por um consultor norte-americano da sua campanha.

Uma fonte da campanha de Livni reagiu com ironia, mas pedindo anonimato: 'Há 0,1 por cento de chance de que isso se torne verdade'.

Um candidato precisa ter mais de 40 por cento dos votos para evitar o segundo turno. Além de Mofaz e Livni, dois outros ministros participam da disputa, mas devem ter votações inexpressivas.

Olmert, investigado por caixa-dois eleitoral, promete deixar o cargo depois da eleição interna do seu partido, mas pode ficar interinamente como premiê durante semanas ou meses, enquanto um novo governo é formado.

Analistas acham que Mofaz se precipitou ao prever a vitória com tão pouca margem de erro. 'Se Mofaz perder por até por 5 pontos percentuais --em vez de 15 pontos que as pesquisas atualmente sugerem--, a cifra de 43,7 por cento vai assombrá-lo durante longos e frustrantes anos na política', escreveu Yossi Verter no jornal Haaretz.

A previsão apimenta uma campanha que careceu de grandes manchetes. Mofaz e Livni são políticos mais discretos que Olmert, um veterano que costuma fazer campanha na base do sorriso e dos apertos de mão.

Mofaz, 59 anos, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa, nasceu no Irã e se mudou para Israel com a família aos nove anos de idade.

Se vencer, ele vai se tornar o primeiro premiê de Israel que não nasceu na Europa nem é descendente de judeus asquenazitas (que vivem no centro e leste europeu). Seria um feito importante para a comunidade sefaradita.

Livni, de 50 anos, nasceu em Israel. Seu pai, de origem polonesa, foi comandante de uma milícia judaica prévia à criação de Israel. Ela foi agente do Mossad (serviço de inteligência) e advogada antes de entrar para a política.

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