Disputa EUA-Israel ainda não foi resolvida, diz Netanyahu

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - Israel e os Estados Unidos continuam divididos em relação às construções nos assentamentos judaicos, mas as divergências vêm se reduzindo em alguns pontos, disse na quarta-feira o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, depois de consultar membros de seu gabinete.

Reuters |

Netanyahu e seus ministros vêm avaliando a reação a ser apresentada à oposição dos EUA à construção de mais casas para judeus em áreas ocupadas em Israel e arredores e ao chamado de Washington por medidas para persuadir os palestinos a voltar às negociações de paz.

Em coletiva de imprensa concedida para resumir seu primeiro ano à frente do governo, Netanyahu não deu sinais de que as divergências em relação aos assentamentos, que vêm causando tensão nas relações entre Israel e seu principal aliado, estejam chegando perto do fim.

"Estamos em discussões contínuas", disse Netanyahu, aludindo a um diálogo com a administração do presidente norte-americano, Barack Obama.

"Não estou dizendo que não tenhamos divergências. Há pontos sobre os quais concordamos e outros sobre os quais discordamos. Há questões em que essas diferenças vêm sendo reduzidas", disse ele, sem dar mais detalhes.

"Estamos fazendo um esforço para agir de modo coordenado, porque nós e os Estados Unidos temos interesses e valores comuns profundos", disse o premiê, que vai viajar a Wahington na segunda-feira para uma conferência sobre segurança nuclear.

A mídia israelense vem dizendo que Obama, cujo encontro discreto com Netanyahu no mês passado foi amplamente interpretado como sinal de desagrado com as construções nos assentamentos, quer que as construções nos assentamentos em Jerusalém oriental sejam congeladas por quatro meses.

GESTOS DE BOA VONTADE

Um alto funcionário do governo israelense disse que, durante sua visita próxima aos EUA, Netanyahu não pretende dar uma resposta formal à exigência americana de que Israel tome medidas de reforço da confiança, visando tentar reativar as conversações de paz, suspensas desde dezembro de 2008.

A Casa Branca disse que, durante a conferência nuclear, Obama não tem planos de reunir-se com Netanyahu ou outros líderes estrangeiros com quem teve encontros recentes.

A Autoridade Palestina exige a suspensão da construção nos assentamentos israelenses em Jerusalém oriental e a Cisjordânia, território que Israel capturou em uma guerra em 1967, como condição prévia para qualquer retomada das negociações de paz.

Citando vínculos históricos e bíblicos, Israel considera Jerusalém inteira como sua capital, reivindicação que não é reconhecida internacionalmente. Os palestinos querem Jerusalém oriental como sua capital e dizem que os assentamentos lhes negam a possibilidade de um Estado viável.

Sob pressão dos EUA, Netanyahu, que chefia um governo dominado por partidos políticos favoráveis aos assentamentos - incluindo seu próprio partido - anunciou em novembro o congelamento das construções nos assentamentos da Cisjordânia durante 10 meses, mas excluiu Jerusalém oriental da medida.

(Reportagem adicional de Ori Lewis)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG