Disputa entre grupos criminosos brasileiros passa para Paraguai

Assunção, 10 jun (EFE).- A disputa entre traficantes de drogas brasileiros foi transferida para o departamento paraguaio de Amambay, na fronteira entre os dois países, onde 13 pessoas foram assassinadas nas últimas semanas, advertiram hoje as autoridades paraguaias.

EFE |

"É uma guerra entre dois grupos mafiosos que têm ramificações no Brasil", afirmou Bartolóme Ramírez, governador de Amambay, que faz fronteira com o Mato Grosso do Sul.

Um desses grupos, "responde ao Primeiro Comando da Capital (PCC)", a organização criminosa controlada dentro das prisões de São Paulo.

Segundo os organismos de segurança dos dois países, em Amambay, assim como nos departamentos de Concepción e Canindeyú, também na fronteira com o Brasil, se concentra a maior parte dos cultivos de maconha do Paraguai, o maior produtor sul-americano da droga.

"Estão em uma disputa. Estão solucionando seus problemas internos", disse Ramírez em entrevista à rádio "AM970" de Assunção.

O governador apontou, além disso, que atos de violência são comuns "quando há um ajuste de conta entre mafiosos" em Pedro Juan Caballero, capital do departamento e que é separada por uma avenida da cidade brasileira de Ponta Porã. "Mas quando a violência afeta terceiros, a sociedade reivindica segurança", disse.

A declaração faz referência ao assassinato encomendado de um homem em um centro comercial, na segunda-feira passada, onde duas empregadas do local ficaram feridas.

A Polícia paraguaia anunciou o envio de um contingente de oficiais de elite para apoiar os agentes locais no controle, juntamente com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

"Considero que a resposta da Polícia vai dar uma sensação de segurança", afirmou o governador. Além disso, Ramírez declarou que, até o momento, o combate ao narcotráfico na região "é um fracasso".

No entanto, a Senad informou hoje da destruição de 161 hectares de plantações de maconha nas florestas de Amambay, que equivalem a 483 toneladas da droga, além da apreensão de 11 toneladas processadas, na operação Nova Aliança IV, iniciada na semana passada.

A operação, realizada com certa frequência e que conta com o apoio da Polícia Federal Brasileira, permitiu, além disso, o confisco de 58 quilos de sementes da erva, duas prensas para compactar a droga e o desmantelamento de 31 acampamentos de cultivadores.

No Paraguai, 5.900 toneladas de maconha são colhidas por ano, mais da metade da produção de toda América do Sul, calculada em 10.000 toneladas. Em nível mundial, o país só fica atrás do México, que aparece com 7.400 toneladas, segundo dados do World Drug Report 2008, das Nações Unidas.

Além disso, o Paraguai está entre os dez maiores produtores de resina de maconha (haxixes), embora esteja muito atrás de países africanos e asiáticos como o Marrocos, Afeganistão, Paquistão, Irã, Nepal e Índia, segundo o relatório. EFE rg/pd

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