Disputa entre facções peronistas aquece campanha argentina

Por Guido Nejamkis BUENOS AIRES (Reuters) - A disputa pelos votos dos indecisos entre as tendências peronistas que lideram as pesquisas na campanha para a eleição legislativa na Argentina se intensificou nesta terça-feira, a cinco dias de uma votação em que a presidente do país, Cristina Kirchner, poderá perder o controle do Congresso.

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A luta mais feroz se concentra na central província de Buenos Aires, onde vive 38 por cento da população argentina e na qual o marido de Cristina, o ex-presidente justicialista (peronista) Néstor Kirchner, disputa uma cadeira de deputado.

Na reta final da campanha, os grupos peronistas que estão em lados opostos divulgaram anúncios com ferozes ataques um contra o outro, elevando a temperatura de uma eleição que o ex-presidente Kirchner caracterizou como um plebiscito sobre sua gestão, no período de 2003 a 2007, e a de sua mulher e sucessora.

"Vim ajudar com ideias, não com caprichos. Precisamos ter um argentino unido a outro, não um argentino contra outro", disse o candidato a deputado pelo peronismo dissidente, Francisco De Narváez, principal rival de Kirchner em Buenos Aires, em uma alusão ao estilo do ex-presidente de partir para o confronto. O peronismo dissidente é a ala do partido não-alinhada ao casal Kirchner.

A maioria das pesquisas de intenção de voto aponta uma estreita vantagem de Kirchner sobre De Narváez, um milionário que chegou à política na última década. Algumas sondagens indicam possibilidade de vitória para De Narváez se conseguir conquistar na última hora os votos dos indecisos.

Uma eventual vitória de De Narváez na região mais povoada do país seria um golpe para Kirchner e o governo federal, desgastado depois de uma ácida disputa com o poderoso setor agrícola, uma alta inflação não-reconhecida oficialmente, que mina o poder de compra da população, e o efeito da crise mundial sobre a economia local.

Além disso, muitos argentinos estão cansados do estilo ríspido de governo empreendido por Kirchner e continuado por sua mulher, bem como da política econômica de forte intervenção estatal, que contrasta com o liberalismo do ex-presidente peronista Carlos Menem na década de 1990.

A economia argentina viveu uma forte expansão de 2003 a 2009, quando começou a se desacelerar.

(Reportagem adicional de Karina Grazina)

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