Discussões sobre Cuba e drogas devem esquentar Cúpula das Américas

Líderes de 33 países do hemisfério - incluindo Dilma e Obama - se reúnem para evento em Cartagena, na Colômbia

iG São Paulo |

Polêmicas antigas sobre Cuba e as Ilhas Malvinas vão se misturar à discussão sobre novas abordagens para a guerra contra as drogas e a tensões comerciais na Cúpula das Américas, evento da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acontece neste domingo na histórica cidade de Cartagena, na Colômbia. É improvável, porém, que os 33 países representados na sexta edição da cúpula promovam grandes mudanças em questões importantes do hemisfério.

Embora já não seja uma atração tão grande quanto foi na reunião de 2009, em Trinidad e Tobago, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, permanece no foco de muitos líderes latino-americanos que esperam que ele lhes dê mais atenção caso obtenha um segundo mandato na eleição de novembro.

Leia também: Colômbia não convidará Cuba para Cúpula das Américas

AP
O presidente da Colômbia, Juan Manuela Santos, fala em fórum de CEOs paralelo à Cúpula das Américas em Cartagena, na Colômbia (13/04)

Muitos países latino-americanos gostariam que os EUA amenizassem a sua dura política com relação a Cuba e dessem início a um debate sobre a legalização de algumas drogas. Em meio à disputa apertada para a reeleição , porém, Obama deverá manter a linha-dura dos EUA. "Essas são questões politicamente explosivas para Obama. Não há como ele atender às expectativas latino-americanas", disse o especialista regional Michael Shifter, baseado nos EUA.

Como geralmente acontece nas cúpulas latino-americanas, Cuba será a principal "batata quente" para os participantes reunidos na cidade portuária do Caribe - embora a agenda oficial contemple desde tecnologia a programas para a redução da pobreza.

Cuba foi expulsa da OEA pouco depois da revolução de Fidel Castro, que chegou ao poder em 1959, e os esforços dos aliados latino-americanos para convidar o país a Cartagena fracassaram .

O presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, boicotará a cúpula por causa da ausência de Cuba. Vários outros líderes pretendem pressionar Obama para que os EUA amenizem as sanções comerciais contra o governo comunista de Havana, que já dura cinco décadas.

"Espero que esta seja a última cúpula sem Cuba" disse o anfitrião e presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Ele estabeleceu boas relações com o bloco de países latino-americanos Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), apesar de ser aliado dos EUA e um político conservador.

Drogas
As discussões mais interessantes em Cartagena devem ser as relacionadas às drogas. Há pedidos crescentes ao redor do mundo por um novo olhar sobre como combater o comércio ilegal. Décadas de políticas linha-dura contra produtores e consumidores não conseguiram reduzir o abuso, a violência nem os lucros multibilionários dos criminosos.

Na América do Sul, alguns acreditam que a descriminalização da produção de coca - a matéria-prima da cocaína - reduziria o lucro dos traficantes e estimularia os agricultores a plantar outras coisas.

"A grande maioria dos países quer discutir a questão. O que pode acontecer é o início de um debate necessário", afirmou Santos na quarta-feira ao chegar a Cartagena para verificar os preparativos. "A Colômbia tem sofrido há anos com esse flagelo. O crime organizado tem um poder ainda maior na América Central. Portanto, precisamos encarar o assunto de frente e começar um debate, apenas para ver se há uma alternativa melhor para atacá-lo."

Embora os chefes de Estado devam se encontrar no sábado e no domingo, dois eventos paralelos começam mais cedo: um fórum social para grupos não-governamentais e uma "cúpula de CEOs", para empresários.

Com Reuters

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