Discurso sobre Iraque não será de vitória, diz Obama

Para marcar fim das operações de combate após mais de sete anos de conflito no país árabe, líder dos EUA discursa às 21 horas

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira que o discurso que marcará o fim simbólico dos sete anos das operações de combate americanas no Iraque não será de "vitória". A declaração foi feita durante um encontro com soldados na base de Fort Bliss em El Paso, Texas, para lhes agradecer sobre o serviço prestado à nação.

Segundo Obama, ainda há muito trabalho a ser feito no Iraque, apesar do fim das operações de combate. "Não será uma volta da vitória. Não será uma autocongratulação", disse Obama, descrevendo o discurso que fará à nação na noite desta terça-feira para marcar o fim das ações de combate dos EUA no Iraque.

O discurso, que será pronunciado às 20 horas (21 horas em Brasília) no Salão Oval da Casa Branca, marcará o fim da missão de combate dos EUA no Iraque, sete anos depois de uma invasão à qual Obama se opôs e num momento em que o país árabe parece estar longe da estabilidade.

Com o fim das operações das tropas de combate americanas, oficialmente à meia-noite do Iraque (18 horas no Brasil), os EUA manterão no país 50 mil militares para assessorar e treinar as forças iraquianas.

Desde 2003, milhares de militares dos EUA passaram pelo Iraque, sendo que mais de 4,4 mil perderam a vida. "Tudo ficará bem para nós, e tudo ficará bem para eles", disse o vice-presidente Joe Biden no primeiro dia de sua visita surpresa a Bagdá , ao responder às perguntas sobre a violência que ainda assola o país árabe.

Na quarta-feira, o Exército iraquiano realizará uma cerimônia para realçar o início da nova etapa da presença dos EUA no Iraque, na chamada operação "Novo Amanhecer". O vice-americano, que visita pela sexta vez o Iraque desde janeiro de 2009, deve voltar a se reunir com os principais dirigentes iraquianos, principalmente os chefes das duas principais listas no Parlamento, o premiê Nuri Al-Maliki e o ex-chefe de governo Iyad Allawi, que desde as eleições de março não conseguem chegar a um acordo para a formação de um novo governo.

Por causa dessa indefinição, a Casa Branca pediu nesta terça-feira às autoridades iraquianas que iniciem "com urgência" a formação de um novo governo. "Pedimos aos líderes iraquianos a continuar de maneira urgente na formação de um governo", afirmou Ben Rhodes, assessor adjunto para segurança nacional.

Despreparo das forças iraquianas

Em um contexto político incerto em Bagdá, muitos iraquianos estão apreensivos perante a saída progressiva das tropas dos Estados Unidos, que chegaram a somar 170 mil efetivos em 2007, temendo que sua polícia e seu Exército não estejam preparados para assumir sozinhos todas as tarefas de segurança.

AFP
Presidente dos EUA, Barack Obama, embarca em avião presidencial Air Force One na Base da Força Aérea de Andrews, em Maryland
Em declarações recentes, o comandante do Estado-Maior iraquiano, o general Babaker Zebari, considerou prematura a retirada americana, pedindo a Washington que os soldados permanecessem no país até que o Exército nacional esteja totalmente preparado, em 2020.

Segundo Maliki, no entanto, as forças iraquianas são capazes de garantir a segurança no país. "Lamentavelmente, estamos enfrentando uma campanha de ceticismo e estamos convencidos de que o objetivo é impedir a retirada das tropas ameriacanos", afirmou o chefe de governo durante discurso exibido no canal público Iraqiya para marcar o fim da missão de combate. Segundo o premiê iraquiano, atualmente "o país é soberano e independente".

*Com Reuters, AFP e EFE

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