Discurso na ONU eleva popularidade de Netanyahu em Israel

Em entrevista à BBC, líder israelense volta a pedir que palestinos concordem com negociações de paz sem condições prévias

iG São Paulo |

A popularidade do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, cresceu em Israel depois de um discurso na Assembleia Geral da ONU contra a solicitação palestina de reconhecimento a seu Estado, segundo uma pesquisa de opinião divulgada nesta segunda-feira.

A aprovação ao líder saltou de 32% para 41% nos dois últimos meses, período em que Israel conviveu com protestos populares contra o custo de vida, de acordo com a pesquisa publicada pelo jornal Haaretz.

"Netanyahu mais uma vez provou que só precisa de um bom discurso para crescer nas pesquisas", disse o colunista Yossi Verter num comentário que acompanhou a pesquisa, que entrevistou 486 pessoas no domingo.

AFP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (23/09)

No seu discurso de sexta-feira na ONU, Netanyahu criticou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, por solicitar a adesão plena palestina ao organismo - medida que começa a ser debatida pelo Conselho de Segurança nesta segunda-feira e que os EUA prometeram vetar .

Netanyahu disse que só uma negociação direta com Israel pode levar à paz na região, e sinalizou que não pretende abandonar a expansão dos assentamentos judaicos da Cisjordânia, o que os palestinos dizem ser um pré-requisito para a retomada do diálogo.

Sem condições prévias

Netanyahu reforçou as declarações durante uma entrevista à rede britânica BBC na qual voltou a pedir que os palestinos concordem em negociar a paz na região sem impor condições prévias.

"Acho que há muitas pessoas por aí - palestinos, israelenses, pessoas no mundo árabe, pessoas além do mundo árabe - que estão nos pedindo para colocar mãos à obra. Desde o primeiro dia tenho pedido para negociar e espero que possamos chegar a este ponto", afirmou.

Durante a entrevista, Netanyahu formalizou um convite para um encontro com Abbas feito durante seu discurso na ONU. "Aqui está meu convite formal para a reunião: vamos nos sentar e falar de paz. Nos sentaremos, falaremos francamente, colocaremos todos os assuntos na mesa. Acho que é assim que isto vai se resolver: equilibrando as necessidades legítimas de segurança de Israel com as aspirações legítimas dos palestinos pela liberdade nacional", afirmou.

"Acho que é possível. Não é fácil, mas não é impossível. A única forma de isto acontecer é nos sentarmos para negociar. E eu sou o homem que pode fazer isto", acrescentou.

Na sexta-feira, o Quarteto para o Oriente Médio , grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, pediu a retomada imediata das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina.

Em um comunicado, o Quarteto convida as duas partes a programar uma agenda que os ajude a alcançar uma solução integral ao final de 2012.

Questionado quanto a este cronograma, Netanyahu afirmou que não sabe se palestinos e israelenses poderão chegar a um acordo dentro de um ano.

"Acho que as datas são o que menos importam", afirmou Netanyahu, insistindo que a ideia mais importante é começar as negociações.

Netanyahu também falou em uma "percepção errônea" do mundo árabe em relação a Israel. "Não creio que as pessoas entendam o quanto os israelenses estão sedentos pela paz", disse o premiê.

Ele lembrou dos amigos que perdeu durante batalhas entre Israel e Egito, Israel e a Jordânia, do irmão morto em confrontos com os palestinos e afirmou não querer a repetição de nada disso no futuro.

"Devemos construir um futuro para nossos filhos e netos e para nós mesmos. Estou disposto a buscar a paz. É a única coisa que posso fazer", disse. "Mas não posso fazê-lo através do que dita a ONU. Apenas posso conseguir isto me reunindo com Abu Mazen (Mahmou Abbas)", acrescentou.

Abbas na Cisjordânia

No domingo, Abbas foi recebido como herói pela população de Ramallah, na Cisjordânia, que manifestou apoio à campanha na ONU. Milhares de palestinos saudaram o líder durante uma cerimônia em frente ao prédio do governo em Ramallah, balançando bandeiras e segurando cartazes com a foto de Abbas.

“Fui às Nações Unidas levando nossas esperanças, sonhos, ambições, dores, visões de futuro e a importância de um Estado palestino. Não duvidem por um momento que todo o mundo escutou nossa história e nossas aspirações com respeito", afirmou Abbas, em breve discurso.

O líder palestino também reiterou que não haverá negociações com Israel se a colonização israelense nos territórios palestinos não parar por completo. "Não haverá negociações sem a legitimação internacional e sem uma parada completa da colonização", afirmou Abbas diante de milhares de partidários em Ramallah.

Com BBC, Reuters, AP, EFE e AFP

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