Discurso do Dalai Lama deverá apelar à elite no Tibete

Por Ben Blanchard e Benjamin Kang Lim PEQUIM (Reuters) - O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, que vive no exílio, fará um apelo à elite da região himalaia, governada pela China, em um discurso na quarta-feira, convidando-a a visitar as comunidades de tibetanos exilados.

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No discurso para marcar os 51 anos de fuga para o exílio após um levante fracassado contra o governo chinês, o Dalai Lama também prometerá que ele e os integrantes de seu governo no exílio não tomarão nenhuma posição política se e quando a questão do Tibete for resolvida.

Ele também condenará as condições no Tibete e oferecerá apoio a Xinjiang -- outra região agitada da China, povoada por uma minoria étnica, os uigures muçulmanos --, de acordo com uma cópia de seu discurso obtida antecipadamente pela Reuters.

A China classifica o laureado pelo Prêmio Nobel da Paz como separatista e diz que ele fomenta a violência. O Dalai Lama nega as duas acusações, afirmando que ele apenas busca uma autonomia genuína para a longínqua região.

Dirigindo-se aos tibetanos que trabalham para o governo chinês, o Dalai Lama falará: "Convido os funcionários tibetanos servindo em diversas áreas autônomas tibetanas a visitar as comunidades tibetanas vivendo no mundo livre, seja oficialmente seja em particular, para observar a situação por si mesmo."

A China proíbe os tibetanos que trabalham para o governo de visitar comunidades no exílio, mas muitos tibetanos comuns fazem uma travessia perigosa e ilegal para estudar budismo na cidade indiana de Dharamsala, onde o Dalai Lama vive há cinco décadas.

"Deixe-me reiterar que, uma vez que a questão do Tibete esteja resolvida, não tomarei nenhuma posição política assim como nenhum membro do governo tibetano no exílio assumirá cargos no governo do Tibete", disse o Dalai Lama.

No domingo, o novo governador do Tibete indicado pelos chineses disse que apenas o socialismo poderia "salvar" a região e garantir seu desenvolvimento, e responsabilizou o Dalai Lama pelos problemas no Tibete.

Protestos liderados por monges budistas contra o governo chinês em março de 2008 acabaram em violência. Manifestantes incendiaram lojas e atacaram moradores, incluindo chineses hans e muçulmanos huis. Os tibetanos vêem os hans como invasores que ameaçam sua cultura.

Ao menos 19 pessoas morreram no levante de 2008, que deflagrou ondas de protesto pelas regiões tibetanas antes das Olimpíadas de Pequim. Grupos pró-Tibete no exterior afirmam que mais de 200 tibetanos morreram numa perseguição posterior na região. Pequim nega e disse que usou uma força mínima.

O Dalai Lama dirá que Pequim colocou monges e monjas em "condições semelhantes à prisão", fazendo os "monastérios funcionarem mais como museus...para aniquilar deliberadamente o budismo".

Mas ele também proporá continuar o diálogo com os chineses, apesar do que vê como "pouca esperança" de resultados.

A China e os enviados do Dalai Lama mantiveram diversas rodadas de conversações desde 2002, mas fizeram pouco progresso.

Numa ação que certamente enfurecerá ainda mais Pequim, o Dalai Lama chamará Xinjiang de "Turquestão do Leste", nome dado à região pelos exilados pró-independência. A violência étnica na região no ano passado entre os uigures, e a maioria han levou a ao menos 200 mortes.

"Deixe-nos também lembrar o povo do Turquestão do Leste, que tem experimentado dificuldades enormes e maior opressão", dirá ele no discurso. "Gostaria de expressar minha solidariedade e apoiá-los com firmeza."

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