Discurso de Obama focará inclusão de Estado palestino na ONU

Na Assembleia Geral das Nações Unidas presidente fará apelo para países árabes apoiarem processo de paz no Oriente Médio

iG São Paulo |

No esperado discurso do primeiro dia da Assembleia Geral da ONU, o presidente americano, Barack Obama, dirá nesta quinta-feira que é possível chegar a um acordo para permitir a entrada de um novo Estado membro, a Palestina, dentro de um ano, em um novo impulso a sua política de alcançar a paz no Oriente Médio.

Obama também fará um apelo aos países árabes, para que deem mais apoio ao processo de paz na região, afirmando que os amigos dos palestinos devem avançar no sentido de uma normalização das relações com Israel, de acordo com trechos de seu discurso divulgados de antemão pela Casa Branca.

“Muitos nesta sala se consideram amigos dos palestinos. Mas, agora, essas intenções devem ser apoiadas por fatos", dirá o presidente americano na sede das Nações Unidas.

Obama deve declarar ainda que os atores regionais precisam privilegiar a tolerância entre o islamismo, o judaísmo e o cristianismo.

"Se o fizermos, poderemos conseguir um acordo quando retornarmos aqui no ano que vem; um acordo que leve à inclusão de um novo membro das Nações Unidas, o Estado independente da Palestina, que viva em paz com Israel", dirá Obama.

Negociações

No dia 2 de setembro, com mediação dos EUA, representada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, retomaram em Washington negociações diretas de paz após um hiato de quase dois anos.

Na última terça-feira, no entanto, Abbas lançou um ultimato e ameaçou romper as negociações de paz com Israel se o país não estender o prazo de congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia, que deverá terminar no domingo.

Tensão

O apelo para mais apoio às negociações de paz no Oriente Médio ocorre em meio ao aumento da tensão entre palestinos e israelenses. Na quarta-feira, a polícia antidistúrbios de Israel invadiu o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, para remover do local palestinos que atiravam pedras contra o Muro das Lamentações, local de orações do judaísmo.

A tensão começou depois que um guarda israelense matou na quarta-feira o palestino Samer Sarhan, de 32 anos, em um local conflituoso de um bairro de Jerusalém Oriental - a parte árabe da cidade -, desencadeando confrontos de rua e acusações, por parte de palestinos, de que Israel está minando as negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos.

Palestinos saíram às ruas depois do incidente, revirando carros e atirando pedras na polícia e em pedestres. A polícia afirmou ter respondido com gás lacrimogêneo, jatos de água e granadas de efeito moral. De acordo com a rede de TV CNN, 50 palestinos foram feridos por balas de borracha, disparadas pelos policiais israelenses. Desses, 15 foram levados para hospitais próximos. Cerca de 10 israelenses, segundo a Associated Press, ficaram feridos nos distúrbios.

Centenas de pessoas compareceram ao funeral do palestino morto, que tinha cinco filhos.


*Com AFP, BBC e Reuters

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