Discurso de Ahmadinejad na ONU tem problemas de tradução

Líder iraniano criticou e responsabilizou capitalismo por mazelas da humanidade e pediu retorno à 'mentalidade divina'

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pronunciou nesta terça-feira um discurso na cúpula da ONU sobre as Metas do Milênio, que ficou sem tradução simultânea. Ahmadinejad chegou a interromper seu discurso para queixar-se da tradução dos serviços oficiais das Nações Unidas, que disseram ler uma tradução que lhes havia sido entregue antecipadamente.

No texto entregue previamente sobre o discurso na ONU, o presidente iraniano culpou o capitalismo por desastres e mazelas da humanidade.

AFP
Ahmadinejad faz pausa por causa da tradução durante discurso em cúpula da ONU, em Nova York
“A demanda do capitalismo liberal e corporações transnacionais causaram o sofrimento de incontáveis mulheres, homens e crianças em muitos países”, disse Ahmadinejad na sede da ONU em Nova York. “É minha crença que no novo milênio precisamos nos voltar à mentalidade divina, à nossa verdadeira natureza, da qual o homem foi criado, e ao governo justo e imparcial".

O líder iraniano disse ainda que “agora que a ordem discriminatória do capitalismo e da hegemonia estão enfrentando a derrota e se aproximam de seu fim, é necessária uma participação maciça para fazer respeitar a justiça e as relações prósperas".

Ahmadinejad também criticou "as estruturas de governo antidemocráticas e injustas" que constituem "o pano de fundo das condições a que está submetida a humanidade".

Sakineh

Ainda nesta terça-feira, o Ministério de Assuntos Exteriores do Irã voltou a classificar de "propaganda" contra o país a polêmica internacional criada pela condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério.

"Desde o princípio, o tema foi manipulado pela mídia contra o Irã para fabricar uma controvérsia sobre os direitos humanos", afirmou o porta-voz do Ministério citado, Ramin Mehmanparast.

O funcionário reiterou que Sakineh foi detida por estar relacionada com o assassinato de seu marido e argumentou que a investigação posterior revelou que ela havia mantido uma relação sexual ilícita com outro homem. Além disso, lembrou que o processo não foi concluído e que ainda não existe uma sentença final.

No início de agosto, o governo brasileiro ofereceu asilo à iraniana , mas causou um desconforto diplomático entre os países. Além de Ahmadinejad ter negado o asilo, a embaixada do Irã no Brasil divulgou uma declaração em que afirma que o governo do país considera a oferta de Lula "um pedido de um país amigo, baseado nos sentimentos puramente humanitários", mas questiona as "consequências" e pergunta se o "Brasil precisará ter um local para criminosos de outros países".

*Com EFE e AFP

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